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Agricultura

Lagarta-do-cartucho no milho: como organizar o manejo integrado

A biologia voraz de Spodoptera frugiperda, a perda de eficácia de proteínas Bt e o uso estratégico de biodefensivos à base de baculovírus.

Publicado em Atualizado em 9 min de leitura · horário de Brasília
Pulverizador autopropelido aplicando manejo biológico e químico contra lagartas na lavoura de milho
O momento ideal de controle ocorre quando as lagartas ainda são pequenas (menos de 1 cm) e raspam as folhas sem terem penetrado no fundo do cartucho. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a praga entomológica mais tradicional e cosmopolita da cultura do milho no Brasil. Com ciclo biológico curto (completado em cerca de 25 a 30 dias no calor do verão), alta capacidade reprodutiva (cada fêmea põe mais de mil ovos) e voracidade extrema, ela pode reduzir a produtividade da lavoura em até 40% a 50% se não for manejada adequadamente.

O surgimento de biótipos de Spodoptera resistentes a algumas proteínas transgênicas Cry (como Cry1F) quebrou a falsa ilusão de que o milho transgênico dispensaria o monitoramento de campo. O manejo moderno exige a retomada do Manejo Integrado de Pragas (MIP-Milho).

1. Danos nas folhas e a proteção do 'cartucho'

O comportamento alimentar da lagarta varia conforme seu desenvolvimento larval:

  • Fase inicial (lagartas neonatas): Alimentam-se raspando a epiderme verde das folhas, deixando um sintoma característico de 'folhas rendilhadas' ou janelas transparentes;
  • Fase intermediária a adulta: A lagarta penetra no interior do cartucho da planta, onde se abriga e consome as folhas jovens em expansão. No interior do cartucho, ela produz uma massa volumosa de fezes serrilhadas que funciona como um tampão físico ('rolha'), impedindo que inseticidas de contato atinjam seu corpo;
  • Dano na espiga: Mais tarde no ciclo, a lagarta ataca a ponta da espiga e os grãos leitosos, abrindo porta de entrada para fungos produtores de micotoxinas.

2. Amostragem pela Escala Davis e Nível de Ação

O produtor deve avaliar o índice de dano visual pela Escala Davis (notas de 0 a 9):

  1. Notas 1 a 2: Apenas raspagens foliares sem perfuração do tecido;
  2. Nota 3: Pequenos furos circulares nas folhas (nível de alerta);
  3. Nível de Ação Econômica: A pulverização deve ser disparada assim que cerca de 15% a 20% das plantas inspecionadas apresentarem nota 3 da escala Davis. Esperar a nota subir para 5 ou 6 (folhas rasgadas e fezes visíveis) significa tentar matar lagartas de 4º ou 5º ínstar, que já estão protegidas no fundo do colmo e têm alta tolerância a inseticidas.

3. Ferramentas Integradas: Biológicos e Rotação de Modos de Ação

O combate eficiente requer a associação de táticas:

  • Bioinseticidas e Baculovírus: O uso de Baculovirus spodoptera e bactérias Bacillus thuringiensis aplicados nas primeiras horas da manhã atinge as lagartas pequenas sem matar os inimigos naturais (como tesourinhas Doru luteipes e vespinhas parasitoides Trichogramma);
  • Inseticidas fisiológicos e diamidas: Moléculas inibidoras da síntese de quitina e moduladores de receptores de rianodina associadas a adjuvantes de penetração garantem controle residual;
  • Plantio do Refúgio: Manter a área de milho não-Bt para cruzar mariposas suscetíveis com os eventuais indivíduos resistentes, preservando a vida útil das tecnologias Bt.

Entenda o dimensionamento da área de refúgio em refúgio no milho Bt e os reflexos financeiros em custo de produção do milho por hectare.

Fontes consultadas

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