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Agricultura

Custo de produção do milho: como calcular por hectare e por saca

O peso do fertilizante nitrogenado e da semente híbrida no COE, o cálculo da depreciação e a margem de segurança na safrinha.

Publicado em Atualizado em 9 min de leitura · horário de Brasília
Centro de gestão e armazenagem de insumos e grãos em grande complexo agrícola
O cálculo do custo por saca permite ao produtor estabelecer preços-alvo para fixação antecipada de contratos futuros na B3. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Diferente da soja — que possui liquidez de exportação quase que ilimitada e preços atrelados diretamente ao dólar e à Bolsa de Chicago —, o **milho apresenta uma dinâmica de preços muito mais volátil no mercado doméstico**. Em anos de supersafras locais, o preço do milho no interior do Mato Grosso ou Goiás pode despencar para patamares próximos ou abaixo do custo de frete se o produtor não tiver feito travas antecipadas.

Por essa razão, calcular com precisão cirúrgica o **Custo Operacional Efetivo (COE)** e saber exatamente qual é o custo de produção de cada saca de 60 kg é o divisor de águas entre lucrar ou acumular dívidas na segunda safra.

1. A composição das contas: para onde vai o dinheiro

A estrutura de desembolso financeiro por hectare de milho divide-se tipicamente nas seguintes contas principais:

  • 1. Fertilizantes e Corretivos (30% a 40% do COE): É a conta individual mais cara da lavoura, puxada pelo volume maciço de adubos nitrogenados (ureia) em cobertura e pelo NPK formulado na semeadura;
  • 2. Sementes Híbridas e Biotecnologia (18% a 25% do COE): Sementes de híbridos simples com pacotes de eventos transgênicos contra lagartas e herbicidas representam alto investimento inicial;
  • 3. Defensivos Agrícolas (15% a 22% do COE): Inseticidas contra cigarrinha e lagarta-do-cartucho, herbicidas para controle de daninhas e fungicidas para mancha-branca e cercosporiose;
  • 4. Operações Mecanizadas e Combustíveis (12% a 18% do COE): Óleo diesel gasto em semeadura, pulverizações, transporte de grãos e colheita mecanizada;
  • 5. Mão de obra, seguro agrícola e despesas gerais (5% a 10% do COE).

2. Como calcular o Custo por Saca e o Ponto de Equilíbrio

Para descobrir quanto custa cada saca produzida, divide-se o custo total por hectare pela produtividade média real colhida na fazenda:

Fórmula do Custo por Saca:
Custo por Saca (R$/sc) = Custo Operacional Efetivo por Hectare (R$/ha) ÷ Produtividade Real Colhida (sc/ha)

Por exemplo: se o COE de um hectare de milho safrinha em Mato Grosso foi de R$ 3.600/ha e a produtividade média da fazenda foi de 90 sacas/ha, o custo por saca foi de R$ 40,00 (3.600 ÷ 90 = 40,00).

Se o preço local de venda do milho na cooperativa ou trading for de R$ 50,00 por saca, o produtor terá uma margem operacional bruta de R$ 10,00 por saca (ou R$ 900,00 de margem líquida por hectare).

3. A armadilha da quebra de safra: o que acontece se o clima falhar

O grande perigo do milho safrinha é a quebra de produtividade por seca. Se um veranico em abril derrubar a produtividade da fazenda de 90 sacas para apenas 60 sacas/ha com o mesmo gasto fixo de R$ 3.600/ha:

  • O custo unitário de cada saca dispara automaticamente para R$ 60,00 por saca (3.600 ÷ 60 = 60,00);
  • Se o mercado continuar pagando R$ 50,00, o produtor terá um prejuízo operacional de R$ 10,00 por saca colhida;
  • É por isso que travar vendas antecipadas a termo quando a relação de troca for favorável e contratar seguro agrícola são indispensáveis para garantir a saúde do fluxo de caixa.

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