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Agricultura

Venda de milho para fábricas de ração e usinas de etanol: o que os compradores avaliam

Padrões de micotoxinas (aflatoxina e fumonisinas), teor de amido, impurezas e a revolução da demanda do etanol DDG/DDGS.

Publicado em Atualizado em 10 min de leitura · horário de Brasília
Complexo industrial e silos de processamento de milho para produção de etanol de cereais e rações
As usinas de etanol de milho processam milhões de toneladas de cereal no Centro-Oeste, transformando o amido em biocombustível e o farelo em coprodutos proteicos DDGS. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Até meados da década de 2010, o destino comercial do milho produzido no interior do Brasil dividia-se basicamente entre as fábricas de ração animal locais e o longo corredor de exportação rodoviário/ferroviário até os portos de Santos, Paranaguá ou Arco Norte. Nos últimos anos, contudo, uma revolução industrial transformou o mercado: a **consolidação das usinas gigantes de etanol de milho** no Centro-Oeste.

Hoje, as usinas de biocombustível e as fábricas modernas de nutrição animal competem intensamente pelo cereal, mas impõem critérios laboratoriais de recepção extremamente rigorosos para garantir eficiência no processo de fermentação e segurança alimentar para aves e suínos.

1. O que as Usinas de Etanol avaliam na recepção

Uma usina de etanol de milho é uma refinaria bioquímica que converte amido em açúcar fermentável por leveduras e destila o álcool combustível:

  • Teor e Qualidade do Amido: O milho deve ter alto teor de amido (geralmente acima de 62% a 65% na matéria seca). Cada tonelada de milho de alta qualidade produz entre 420 e 440 litros de etanol anidro/hidratado;
  • A geração dos Coprodutos DDG e DDGS (Grãos Secos de Destilaria): O que sobra do grão após a remoção do amido é concentrado e transformado em DDG/DDGS, um ingrediente nobre para nutrição animal com 28% a 32% de proteína bruta e alto teor de óleo e fibra digestível;
  • Atenção às Micotoxinas nas Usinas: Como a fermentação consome apenas o amido, as micotoxinas presentes no grão original são concentradas em até três vezes no farelo DDGS final. Por essa razão, usinas rejeitam cargas com altos níveis de fungos toxigênicos.

2. O que as Fábricas de Ração Animal exigem

Para indústrias integradas de aves e suínos e confinamentos bovinos, o milho é o principal insumo energético da ração balanceada:

  1. Padrão Estrito de Micotoxinas: Suínos e aves são extremamente sensíveis a toxinas fúngicas. Lotes com contaminação por **Aflatoxinas** (produzidas por Aspergillus flavus) acima de 20 ppb (partes por bilhão) ou **Fumonisinas** (produzidas por Fusarium verticillioides) acima dos limites do MAPA são desclassificados, pois causam vômito, queda imunológica e mortalidade em animais jovens;
  2. Umidade Máxima de 14,0%: Grãos recebidos com umidade superior a 14% aquecem rapidamente nos silos e desenvolvem mofo em questão de dias;
  3. Peso Hectolítrico (PH): Mede a densidade do grão em kg por 100 litros. O mercado exige PH mínimo de 72 a 74 kg/hl para assegurar grãos bem formados e pesados.

3. Estratégia de negociação para o produtor

Compradores industriais de grande porte operam com planos anuais de suprimento e preferem fechar contratos programados com entregas escalonadas ao longo dos meses:

  • Produtores que possuem silos próprios de secagem e armazenagem na fazenda conseguem capturar prêmios adicionais expressivos, pois entregam o milho limpo, seco e classificado no segundo semestre (entressafra), quando as usinas e fábricas de ração pagam ágio para garantir a matéria-prima sem interrupção industrial.

Conheça os custos de armazenagem na fazenda em estruturas de armazenagem de grãos e a fabricação de alimentos em fábrica de ração na propriedade rural.

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