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Agricultura

Adubação nitrogenada do milho: planejamento e acompanhamento da lavoura

Doses recomendadas, fontes de nitrogênio (ureia protegida vs. sulfato), momento de cobertura em V4/V6 e perdas por volatilização.

Publicado em Atualizado em 9 min de leitura · horário de Brasília
Distribuidor agrícola aplicando adubação nitrogenada em cobertura entre as linhas de milho em fase vegetativa
A aplicação de nitrogênio em cobertura deve ocorrer antes que a planta atinja o estádio V6, quando o número de fileiras de grãos na espiga é fixado. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Enquanto a soja obtém praticamente todo o seu suprimento de nitrogênio por simbiose biológica natural, o milho é um consumidor voraz de adubo nitrogenado mineral. Para produzir cada saca de 60 kg de milho, a lavoura exige a absorção de aproximadamente 1,8 a 2,2 kg de nitrogênio (N) puro pelo sistema radicular. Isso significa que, para colher 120 sacas por hectare na safrinha, a planta precisa ter acesso a mais de 240 kg de N/ha (provenientes da matéria orgânica do solo e da adubação química mineral).

O nitrogênio é o elemento que mais responde em produtividade, mas também o que apresenta a maior facilidade de ser perdido para a atmosfera por volatilização ou carregado para o lençol freático por lixiviação.

1. A regra de ouro da cobertura: aplicar entre V4 e V6

O momento de aplicação da cobertura nitrogenada não pode atrasar. O ponto crítico da fisiologia do milho ocorre entre os estádios **V4 (quatro folhas completamente desenvolvidas com colar visível) e V6**:

  • É exatamente nesse intervalo fenológico que o meristema apical da planta define o número potencial de fileiras de grãos por espiga (que costuma variar de 14 a 18 fileiras);
  • Se faltar nitrogênio nesse momento, a planta define uma espiga com menor diâmetro e menos fileiras. Nenhuma adubação tardia realizada em V8 ou V10 conseguirá reverter essa limitação anatômica;
  • Na semeadura, aplicam-se apenas cerca de 20 a 30 kg/ha de N (para evitar excesso de salinidade junto à semente), reservando todo o restante para a cobertura entre V4 e V6.

2. Fontes de Nitrogênio e o combate à volatilização

A fonte mais utilizada no Brasil é a ureia convencional, devido à sua alta concentração (45% de N) e menor custo por ponto de nutriente. No entanto, a ureia apresenta uma vulnerabilidade severa quando aplicada a lanço sobre a palhada úmida do Sistema Plantio Direto:

  • A enzima urease presente na palhada quebra a molécula de ureia em gás amônia (NH3), que evapora no ar seco. Em dias quentes e sem chuva imediata para incorporar o adubo, as perdas por volatilização de amônia podem ultrapassar 30% a 50% de todo o nitrogênio aplicado;
  • Ureia com Inibidores de Urease (NBPT / Duromida): Essas tecnologias retardam a ação da enzima por 10 a 14 dias, dando tempo para que uma chuva de pelo menos 10 a 15 mm ocorra e incorpore o adubo com segurança para o perfil do solo;
  • Sulfato de Amônio e Nitrato de Amônio: Não sofrem perdas por volatilização em solos ácidos e fornecem enxofre (S), sendo excelentes para solos com histórico de carência desse nutriente.

3. Cuidados na Safrinha: umidade do solo

Na segunda safra, se o plantio atrasou e as previsões meteorológicas indicam que as chuvas estão se encerrando em abril, aplicar doses pesadas de nitrogênio em cobertura tardia pode ser um tiro no pé: o milho desenvolverá massa foliar exuberante que transpirará mais água, acelerando a morte por seca se as chuvas cortarem antes do enchimento de grãos.

Veja os detalhes do balanço com outros nutrientes em fósforo e potássio no milho e os impactos nos custos operacionais em custo de produção do milho por hectare.

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