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Agricultura

Cigarrinha-do-milho: monitoramento e medidas de manejo

Biologia de Dalbulus maidis, a eliminação rigorosa do milho tiguera (guaxa) e o manejo químico e biológico coordenado.

Publicado em Atualizado em 9 min de leitura · horário de Brasília
Pulverizador terrestre realizando aplicação de bioinsumos e defensivos para contenção de cigarrinha em milho jovem
O controle da cigarrinha deve focar nos primeiros 30 a 40 dias após a emergência (estádios V1 a V4), janela de maior suscetibilidade aos patógenos. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) converteu-se na praga mais desafiadora da agricultura brasileira na última década. O inseto em si — um pequeno hemíptero de cerca de 3 a 4 mm de comprimento, de coloração amarelo-palha com duas pontuações pretas marcantes no dorso da cabeça — consome pouca seiva e causa dano direto desprezível.

O perigo devastador da cigarrinha reside no fato de ela ser o vetor biológico exclusivo de patógenos vasculares mortais: os molicutes causadores dos enfezamentos pálido e vermelho e o vírus do raiado fino. Se o inseto estiver infectado, uma picada de prova em uma plântula jovem é suficiente para transmitir a doença.

1. Biologia e a 'Ponte Verde' do milho voluntário (tiguera)

A cigarrinha possui uma peculiaridade biológica decisiva: ela é monófaga estrita, o que significa que só consegue se alimentar e se reproduzir em plantas vivas de milho. Ela não sobrevive em soja, braquiária, capins invasores ou árvores:

  • Como então o inseto sobrevive e prolifera aos bilhões durante o ano todo? Pela presença contínua de milho voluntário (tiguera ou guaxa) que brota a partir de grãos perdidos pelas colhedoras no meio da lavoura de soja no verão;
  • Se o sojicultor não eliminar o milho tiguera com graminicidas durante o ciclo da soja, esse milho serve de banquete contínuo e berçário para a cigarrinha se multiplicar antes mesmo do plantio da safrinha.

2. Monitoramento prático no campo: lupa e cartucho

O monitoramento deve ser iniciado assim que a lavoura atinge o estádio VE/V1 (plântulas emergindo):

  1. Inspeção nas horas frescas da manhã: Abra delicadamente o cartucho das plantas jovens com os dedos. As cigarrinhas abrigam-se no interior enrolado das folhas mais tenras;
  2. Armadilhas adesivas amarelas: Instaladas na borda do talhão (especialmente na direção de onde sopram os ventos predominantes), ajudam a detectar a chegada da onda migratória dos insetos antes da infestação massiva;
  3. A janela crítica de proteção (VE a V6): Plântulas infectadas nos primeiros 20 a 30 dias de vida manifestarão os enfezamentos mais severos e destrutivos. Após o estádio V8, a planta adquire maior resistência mecânica e a infecção tardia causa menos impacto nas espigas.

3. O tripé do manejo integrado contra a cigarrinha

Tentar controlar a praga apenas com pulverizações químicas isoladas falhou em todo o país. O manejo moderno exige ação regional coordenada:

  • Eliminação rigorosa de tiguera na entressafra e na soja: Tolerância zero para plantas voluntárias de milho na propriedade;
  • Sincronização regional da época de semeadura: Evitar semear milho muito cedo e muito tarde no mesmo município, o que impede a criação de 'escadas' populacionais de insetos migratórios;
  • Associação de defensivos químicos e bioinsumos: Misturar inseticidas químicos de choque e sistêmicos com fungos entomopatogênicos (como Beauveria bassiana e Cordyceps fumosorosea) que infectam o inseto adulto e reduzem a pressão de seleção de resistência.

Entenda os sintomas da doença transmitida pela praga em complexo de enfezamentos do milho e a importância do calendário em janela de plantio do milho safrinha.

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