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Agricultura

Janela de plantio do milho safrinha: fatores que precisam ser considerados

Por que cada dia de atraso após 25 de fevereiro custa até 1 saca por hectare e como o ZARC e a previsão de seca delimitam a semeadura.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Trator e semeadora realizando plantio ágil de milho safrinha em lavoura sob palhada de soja recém-colhida
O plantio imediato atrás da colhedora de soja é a corrida contra o relógio para que o milho floresça antes do corte definitivo das chuvas em abril. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Na sojicultura e milhocultura do Brasil Central, costuma-se dizer que o sucesso do milho safrinha é decidido ainda em outubro, na escolha da cultivar de soja. Se o produtor plantar uma soja de ciclo longo que atrase a colheita para o final de fevereiro ou início de março, o milho safrinha entra automaticamente em uma 'zona de alto risco' agroclimático.

Dados empíricos da Fundação MT e da Embrapa indicam que, em anos de chuva regular, cada dia de atraso na semeadura do milho após a janela ótima custa entre 0,5 e 1,2 sacas por hectare de perda potencial acumulada.

1. A 'Janela de Ouro' por Região

A delimitação da janela segura orienta-se pela probabilidade histórica de encerramento das chuvas e ocorrência de massas polares frias:

  • Mato Grosso e Goiás Central: A janela ótima encerra-se entre 20 e 25 de fevereiro. Lavouras plantadas até essa data têm mais de 80% de chance de passar pelo florescimento (pendoamento) e enchimento com solo úmido. Plantios realizados após 10 de março entram em risco extremo de estresse hídrico terminal;
  • Paraná, São Paulo e Sul de Mato Grosso do Sul: A janela é ainda mais restrita (até 15 ou 20 de fevereiro), pois o risco não é apenas a falta de chuva, mas a incidência de geadas de outono/inverno em maio e junho, que congelam o milho verde em enchimento;
  • Matopiba: Como as chuvas costumam encerrar-se bruscamente em abril, o milho safrinha exige semeadura ultra-ágil logo nos primeiros dias de fevereiro.

2. Por que o milho tardio perde produtividade?

Três restrições físicas e biológicas atuam simultaneamente sobre o milho tardio:

  1. Fotoperíodo e Radiação Solar em Queda: A partir do equinócio de outono em março, os dias ficam menores e a intensidade de luz cai, reduzindo a capacidade da planta de converter radiação em biomassa de grãos;
  2. Corte das Chuvas no Estádio R1/R3: O milho consome 6 a 8 mm de água por dia no pendoamento. Se a chuva cessar exatamente nessa fase, ocorre assincronia floral (o pendão solta o pólen antes da emissão dos 'cabelos' da espiga), resultando em espigas 'banguelas' com poucos grãos;
  3. Concentração Máxima de Pragas: As cigarrinhas que se multiplicaram nas primeiras lavouras da região migram em massa para os talhões tardios, transmitindo enfezamentos letais.

3. A decisão difícil: quando substituir o milho pelo sorgo?

O produtor bem orientado não insiste no milho quando o calendário estoura. Se a colheita da soja atrasar e a semeadura entrar em março adentro, a recomendação agronômica segura é migrar a área para o cultivo de sorgo granífero:

  • O sorgo necessita de 30% a 40% menos água que o milho para produzir e tolera veranicos prolongados graças ao seu sistema radicular profundo e cera foliar protetora;
  • Evita o gasto elevado com sementes caras de milho híbrido e inseticidas em um ambiente onde o risco climático é matematicamente desfavorável.

Monitore os sintomas de estresse hídrico em milho sob deficiência hídrica e conheça o ciclo em milho de primeira e segunda safra.

Fontes consultadas

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