Enfezamentos do milho: identificação e impactos no sistema produtivo
Enfezamento pálido (Spiroplasma), enfezamento vermelho (Fitoplasma) e vírus do raiado fino: sintomas, abortamento e quebra de espigas.

O complexo de enfezamentos do milho é um conjunto de doenças sistêmicas vasculares provocadas por microrganismos procariontes sem parede celular (chamados de molicutes) e por vírus específicos, transmitidos unicamente durante a picada de alimentação da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). Trata-se de um problema silencioso: a infecção ocorre nas primeiras semanas de vida da plântula (V1 a V4), mas os sintomas visíveis devastadores só aparecem meses depois, a partir do florescimento e enchimento de grãos.
Em áreas com alta infestação de cigarrinhas virulíferas e híbridos sensíveis, as perdas chegam facilmente a 70% ou 100% da produtividade comercial do talhão.
1. Os três patógenos do complexo
O complexo é composto por três agentes infecciosos distintos que frequentemente atacam a mesma planta de forma simultânea (co-infecção):
- Enfezamento Pálido (Causado por Spiroplasma kunkelii): O espiroplasma multiplica-se dentro dos vasos do floema. Provoca faixas largas cloróticas esbranquiçadas ou amareladas que partem da base das folhas e avançam em direção ao ápice. As plantas atacadas apresentam encurtamento drástico dos entrenós superiores (ficando anãs);
- Enfezamento Vermelho (Causado por Fitoplasma / Maize bushy stunt phytoplasma): Provoca coloração avermelhada intensa ou arroxeada nas margens e pontas das folhas mais velhas, que depois avança para toda a planta. Causa proliferação excessiva de espiguetas anormais e estéreis na mesma inserção;
- Vírus do Raiado Fino (MRFV): Causa pequenas pontuações cloróticas alinhadas ao longo das nervuras secundárias que se unem formando linhas finas transparentes contra a luz.
2. O impacto destrutivo na planta e na colheita
A colonização dos vasos condutores de seiva (floema) bloqueia a distribuição de açúcares produzidos pela fotossíntese para o restante da planta:
- Abortamento e Espigas Banguelas: Os grãos não se formam ou chocham completamente no meio do processo de enchimento;
- Necrose e Apodrecimento do Colmo: Como a planta não consegue alimentar as raízes e a base da haste, fungos oportunistas necrotróficos (como Fusarium, Colletotrichum e Stenocarpella) invadem o colmo enfraquecido. O milho apodrece na base e quebra antes da passagem da colhedora, inviabilizando a operação de corte;
- Morte Prematura: A lavoura seca antes de completar o ciclo fisiológico, entregando grãos leves, manchados e com baixo peso hectolítrico (PH).
3. Como conviver com o problema
Não existem fungicidas, bactericidas ou defensivos químicos capazes de curar uma planta de milho já infectada por molicutes. O manejo é estritamente preventivo:
- Adoção de Híbridos com Alta Tolerância Genética: A pesquisa agronômica já identificou e disponibiliza híbridos comerciais que, mesmo picados pela cigarrinha infectada, bloqueiam a replicação do espiroplasma e mantêm a formação das espigas. Essa é a ferramenta de maior impacto econômico;
- Tratamento de Sementes e Pulverizações Precoces: Proteger a lavoura contra o vetor nos primeiros 30 dias de ciclo (estádios V1 a V4) reduz drasticamente a taxa de infecção precoce, que é a mais danosa;
- Eliminação das Tigueras: Sem milho voluntário entre as safras, o ciclo de transmissão é quebrado na região.
Saiba como realizar a captura e amostragem do vetor em monitoramento da cigarrinha-do-milho e consulte o catálogo de materiais em escolha de híbridos simples e duplos.
