Menu
Busca
Pecuária

Suplementação mineral de bovinos: para que serve e o que avaliar

Do sal branco ao mineralizado e proteico: entenda as carências dos solos tropicais, como evitar desperdícios no cocho e o impacto direto na fertilidade e ganho de peso.

Publicado em Atualizado em 7 min de leitura · horário de Brasília
Lote de bezerros e novilhos consumindo sal mineral em cocho coberto com piso de concreto
O fornecimento constante de minerais corrige as deficiências naturais dos solos brasileiros e garante fertilidade ao rebanho. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

A grande maioria das pastagens brasileiras está implantada sobre solos ácidos e de baixa fertilidade natural, predominantemente latossolos e podzólicos. Embora as forrageiras tropicais sejam tolerantes a essas condições e consigam produzir abundante biomassa verde, elas apresentam baixíssimos teores de minerais vitais para os bovinos, especialmente fósforo, sódio, zinco, cobre, cobalto e iodo.

Em um sistema produtivo de pecuária bovina, fornecer exclusivamente sal comum (cloreto de sódio) mata a fome de sal do animal, mas deixa o rebanho em carência profunda de fósforo e microminerais. O resultado é o atraso no crescimento ósseo, quebra na taxa de fertilidade das fêmeas, depravação de apetite (hábito de roer ossos e mastigar madeira) e baixa imunidade contra infecções.

1. A diferença entre as modalidades de suplementação

O mercado de nutrição animal oferece formulações para atender a diferentes objetivos biológicos e épocas do ano:

  • Sal comum (branco): Contém apenas cloro e sódio. Não corrige as deficiências de fósforo e microminerais. Seu uso isolado é desaconselhado pela zootecnia moderna.
  • Sal mineralizado de linha (águas): Mistura balanceada contendo fosfato bicálcico, calcário, cloreto de sódio e premix de microminerais. Ideal para o período chuvoso, quando o capim já tem boa proteína e energia, necessitando apenas do balanço mineral. Consumo estimado: 20 a 30 g por cada 100 kg de peso vivo.
  • Sal proteico (proteinado para a seca): Além dos minerais, contém farelos vegetais (milho, farelo de soja, farelo de algodão) e nitrogênio não proteico (ureia pecuária). Mantém ativas as bactérias do rúmen durante a estiagem. Consumo estimado: 100 a 200 g por cada 100 kg de peso vivo.
  • Proteico-energético: Formulação enriquecida com maior proporção de fontes energéticas, indicada para terminação rápida a pasto. Consumo estimado: 300 a 500 g por 100 kg de peso vivo.

2. O papel do fósforo na reprodução e ganho de peso

O fósforo (P) é o elemento mineral mais caro e limitante na pecuária tropical. Ele participa diretamente do metabolismo energético celular (ATP), do desenvolvimento esquelético e do funcionamento ovariano. Pesquisas da Embrapa comprovam que vacas em pastagens deficientes que recebem suplementação de fósforo elevam suas taxas de prenhez de 45% para mais de 80%, garantindo parições regulares a cada safra.

3. Regras de ouro para o cocho de sal

Comprar o melhor produto comercial de nada adianta se o manejo na fazenda for falho. Observe os seguintes pontos práticos:

  1. Cochos obrigatoriamente cobertos: A água da chuva empapa o sal mineralizado, dissolve os minerais e, no caso de produtos com ureia, cria poças concentradas de solução amoniacal que provocam intoxicação letal no gado.
  2. Espaçamento linear adequado:
    • Para sal mineral de linha: 5 a 7 centímetros lineares de cocho por animal.
    • Para sal proteico de consumo moderado: 15 a 20 centímetros por animal.
    • Para proteico-energético: 30 a 40 centímetros por cabeça, garantindo que os animais dominados comam simultaneamente com os dominantes.
  3. Frequência de abastecimento: O cocho nunca deve ficar vazio. A falta de sal por vários dias faz com que os animais consumam sofregamente uma dose excessiva quando o cocho for reabastecido, desregulando a digestão ruminal.

A suplementação mineral é o complemento inseparável do manejo de pastagens e se intensifica nas estratégias de alimentação do gado na seca. Para potencializar a absorção e o metabolismo dos nutrientes, os animais precisam ter livre acesso a fontes abundantes de água limpa e fresca.

Fontes consultadas

Mais da editoria

Conversa com o leitor

0 comentários

Entre na sua conta para comentar. Os comentários passam por moderação antes de aparecer no portal.

Verificando seu acesso…

Ainda não há comentários aprovados. Participe da conversa.