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Sanidade bovina: como organizar o acompanhamento e os registros do rebanho

Calendário sanitário, vacinação obrigatória, controle de carrapato e verminoses: saiba como proteger a saúde do gado e manter em dia a emissão de GTA.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Veterinário aplicando vacina no gado contido com segurança em tronco hidráulico de curral
O cumprimento rígido do calendário profilático resguarda o patrimônio zootécnico e a rentabilidade da propriedade rural. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

A sanidade do rebanho é a base sobre a qual se sustentam todos os demais investimentos em genética, nutrição e manejo. Um animal doente ou cronicamente infestado por parasitas desvia boa parte de seus recursos energéticos para combater a enfermidade, interrompendo o ganho de peso e a produção de leite.

No contexto da pecuária bovina profissional, a gestão sanitária não pode ser reativa (tratar apenas quando o animal adoece no pasto), mas sim preventiva e documentada, baseando-se em um calendário anual de imunizações, protocolos rígidos de biosseguridade e controle criterioso de entradas e saídas de animais.

1. Imunizações oficiais e vacinas essenciais

As vacinas do rebanho dividem-se entre as reguladas por programas oficiais do MAPA e aquelas profiláticas de rotina zootécnica:

  • Brucelose (obrigatória por lei federal): A vacinação é mandatória para todas as fêmeas bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses. Utiliza-se a vacina viva B19 (com marcação indelével com ferro em brasa no lado esquerdo da face) ou a RB51 (que não interfere nos testes sorológicos posteriores). A aplicação deve ser efetuada ou supervisionada por médico veterinário cadastrado.
  • Febre Aftosa: O Brasil alcançou o status sanitário internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação reconhecido pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal) na imensa maioria das unidades da federação. Os produtores devem acompanhar os calendários e declarações de rebanho do órgão de defesa agropecuária do seu estado.
  • Clostridioses (carbúnculo sintomático, gangrena gasosa, tétano e botulismo): Doenças fulminantes causadas por bactérias do gênero Clostridium presentes no solo. A vacinação polivalente deve ser aplicada aos 4 meses de idade, com reforço após 30 dias e revacinação anual de todo o rebanho.
  • Raiva dos herbívoros: Transmitida por morcegos hematófagos (Desmodus rotundus), é obrigatória em regiões endêmicas com presença de abrigos de morcegos e recomendada para todo o rebanho em pasto.
  • Doenças reprodutivas (IBR, BVD e Leptospirose): Causam abortos, reabsorção embrionária e repetição de cio. A vacinação das matrizes e touros antes da estação de monta é fundamental para assegurar altas taxas de prenhez.

2. Controle estratégico de parasitas: carrapatos, bernes e vermes

O carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) e os vermes gastrintestinais causam prejuízos anuais bilionários à pecuária nacional, além de transmitirem o complexo da Tristeza Parasitária Bovina (babesiose e anaplasmose).

O uso indiscriminado e repetitivo do mesmo princípio ativo de carrapaticida (banhos frequentes com produtos químicos) gerou ampla resistência no campo. A recomendação técnica é aplicar o controle estratégico: realizar tratamentos concentrados no final da seca e início das águas (quando a população de parasitas no pasto está no menor nível biológico) e realizar biocarrapaticidogramas em laboratórios oficiais para identificar qual molécula química ainda tem eficácia na propriedade.

3. Escrituração zootécnica e documentação de trânsito (GTA)

Toda intervenção sanitária deve ser registrada em caderno de campo, planilhas ou softwares de gestão pecuária: data da aplicação, lote de animais, produto utilizado, número de partida e período de carência da carne e do leite.

Para qualquer movimentação de bovinos entre propriedades ou para o frigorífico, é obrigatória a emissão prévia da Guia de Trânsito Animal (GTA) junto ao órgão de defesa estadual. O saldo de rebanho atualizado nas declarações oficiais e a comprovação das vacinas obrigatórias são pré-requisitos para a liberação da guia.

A atenção sanitária deve ser redobrada na proteção dos bezerros recém-nascidos durante a cria de bezerros (cura rigorosa do umbigo com iodo e colostragem nas primeiras 6 horas). Ambientes limpos e sem estresse promovidos pelo bem-estar animal reforçam o sistema imunológico, enquanto na pecuária leiteira o manejo sanitário de mastite é pré-requisito para atender os parâmetros de qualidade do leite.

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