Fósforo e potássio no milho: como orientar a recomendação técnica
Níveis críticos de fósforo no solo, reposição do potássio exportado pelos grãos e o papel do K na firmeza do colmo contra o tombamento.

Se o nitrogênio responde pelo volume de massa e enchimento rápido dos grãos de milho, o fósforo (P) e o potássio (K) atuam como a estrutura de engenharia da planta. Sem fósforo em quantidade adequada na fase inicial de plântula, o sistema radicular fica raso e atrofiado; sem potássio abundante ao longo do ciclo, o colmo perde espessura e resistência mecânica, quebrando na primeira ventania que antecede a colheita.
O manejo correto desses dois macronutrientes deve ser planejado com base na análise química do solo e na produtividade esperada da área.
1. Fósforo (P): a energia do arranque inicial
O fósforo é absorvido pelas raízes na forma de íons fosfato (H2PO4-), cujo transporte no solo ocorre quase que exclusivamente por **difusão lenta** através de milímetros de água:
- Como as raízes jovens do milho ainda exploram um volume minúsculo de solo, a adubação fosfatada deve ser localizada no sulco de plantio, posicionada cerca de 5 cm ao lado e 5 cm abaixo da semente;
- Essa localização concentrada diminui a superfície de contato do fertilizante com os óxidos de ferro e alumínio do solo (reduzindo a fixação química do fósforo) e garante que as primeiras radicelas encontrem uma concentração rica de energia para crescer velozmente;
- Fontes solúveis tradicionais como o MAP (Monoamônio Fosfato) e o Superfosfato Triplo (SFT) são as referências padrão para garantir arranque vigoroso.
2. Potássio (K): enchimento de grãos e blindagem do colmo
O potássio (K+) é o elemento mais absorvido em quantidade bruta pela planta de milho depois do nitrogênio (cerca de 20 a 24 kg de K2O por tonelada de grãos produzida):
- Regulação estomática e hídrica: Em anos com veranicos passageiros, plantas com nutrição potássica impecável fecham e abrem os estômatos com precisão cirúrgica, economizando água e mantendo a fotossíntese ativa por mais tempo;
- Prevenção do acamamento e quebra de colmo: O potássio atua diretamente na síntese de celulose e na lignificação dos tecidos de sustentação dos entrenós do colmo. Lavouras deficientes em potássio translocam as reservas de carbono da base da haste para a espiga durante o enchimento, deixando o colmo oco e frágil. Ao menor vento forte próximo à colheita, as plantas dobram ao meio, inviabilizando a colheita mecânica pela plataforma.
3. Cuidados com a aplicação: sulco versus lanço
O cloreto de potássio (KCl, com 60% de K2O) possui um índice salino muito elevado:
- Se for aplicada uma dose superior a 50 ou 60 kg/ha de K2O concentrada na mesma fenda junto à semente de milho, o sal desidrata o embrião por efeito osmótico e reduz drasticamente a germinação;
- Por essa razão, em adubações pesadas de alta produtividade (acima de 80 a 100 kg/ha de K2O), a maior parte do potássio deve ser aplicada a lanço em área total antes do plantio (na dessecação prévia) ou parcelada junto com a adubação nitrogenada em cobertura.
Veja como integrar a nutrição com a cobertura nitrogenada em adubação nitrogenada do milho e os reflexos financeiros em custo de produção por hectare.
