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Agricultura

Profundidade de semeadura do milho: cuidados para uma emergência uniforme

A regra dos 4 a 6 cm de profundidade, a formação das raízes nodais e os riscos de desuniformidade temporal na lavoura.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Operador rural conferindo a profundidade e deposição de sementes de milho no sulco úmido de plantio
Plântulas que emergem com 3 a 5 dias de atraso tornam-se 'plantas dominadas' pelos vizinhos maiores, produzindo espigas pequenas ou estéreis. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Na cultura do milho, a uniformidade temporal de emergência é tão decisiva quanto o número total de plantas por hectare. Se em uma mesma linha de plantio algumas sementes nascem em 5 dias e outras atrasam para emergir aos 9 ou 10 dias, as plântulas atrasadas serão permanentemente sombreadas pelas vizinhas maiores, tornando-se plântulas dominadas que funcionam como verdadeiras plantas daninhas: consomem água e fertilizante, mas produzem espigas minúsculas ou completamente chochas.

O principal fator mecânico responsável por essa desuniformidade é a deposição da semente em profundidades irregulares ao longo da passada da semeadora.

1. A profundidade ideal: de 4 a 6 centímetros

A recomendação agronômica universal para a cultura do milho é depositar a semente entre 4 e 6 cm de profundidade no solo:

  • Semeadura muito rasa (menos de 3 cm): Expõe a semente a variações térmicas drásticas entre o dia e a noite e ao ressecamento rápido da camada superficial da terra. Além disso, as raízes nodais coronárias (responsáveis pela sustentação física e absorção na fase adulta) desenvolvem-se muito perto da superfície, deixando a planta vulnerável a tombamento por vento ('tombamento de raiz');
  • Semeadura muito profunda (mais de 7 cm): Obriga o mesocótilo da semente a gastar todas as reservas energéticas de amido do grão para conseguir empurrar o coleóptilo até a superfície, retardando a emergência e gerando plântulas fracas e suscetíveis a fungos de solo.

2. Velocidade da semeadora: o inimigo oculto

Na ânsia de cumprir a janela apertada da safrinha, muitos operadores aumentam a velocidade do trator para mais de 7,5 ou 8 km/h. Esse excesso de velocidade desregula completamente o plantio:

  1. Faz a linha da semeadora 'pular' sobre a palhada, alternando sementes a 2 cm e a 7 cm de profundidade;
  2. Gera o efeito de 'duplas e falhas' no disco distribuidor de sementes mecânico ou vácuo;
  3. A velocidade máxima recomendada para manter o coeficiente de variação aceitável é de 5,0 a 6,0 km/h.

3. Pressão da roda compactadora e contato semente-solo

A semente de milho precisa absorver cerca de 30% a 35% do seu peso seco em água para romper o tegumento e emitir a radícula. Para que a água do solo passe para a semente por capilaridade, é indispensável que a terra úmida esteja em contato direto com a casca do grão:

  • As rodas compactadoras de borracha em 'V' devem ser reguladas para fechar o sulco sem deixar bolsões de ar, mas sem compactar excessivamente o topo a ponto de formar uma crosta dura;
  • A adubação de base (NPK) deve ser depositada ao lado e cerca de 5 cm abaixo da semente, garantindo que o adubo não queime o embrião e que as primeiras raízes encontrem fósforo solúvel logo no arranque.

Veja os detalhes da adubação de arranque em fósforo e potássio no milho e a relação de densidade em população de plantas e potencial produtivo.

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