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Agricultura

Percevejos na soja: como acompanhar a presença na lavoura

Amostragem com pano de batida, níveis de controle econômico e os danos irreversíveis que picadas causam no vigor e na retenção foliar.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Pulverizador autopropelido em aplicação de manejo integrado de pragas em talhão de soja
O uso correto do pano de batida no início da manhã ou no fim da tarde é a única forma precisa de contar ninfas e adultos antes de decidir a pulverização. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Se as lagartas desfolhadoras chamam a atenção visual imediata ao comerem a área foliar da soja, os percevejos fitófagos atuam de forma muito mais silenciosa e danosa. Eles atacam diretamente o produto comercial da lavoura: as vagens e os grãos em formação. As picadas e a injeção de toxinas enzimáticas pelos estiletes do inseto interrompem o enchimento, chocham os grãos, reduzem o teor de óleo e abrem portas para fungos necrotróficos causadores de apodrecimento interno.

Além da perda direta de peso na balança, ataques severos provocam o distúrbio fisiológico da retenção foliar ('soja louca'), no qual a planta madura não seca nem perde as folhas verdes, dificultando enormemente a passagem das colhedoras.

1. O complexo de percevejos no Brasil

Três espécies principais compõem o complexo de percevejos que assola a sojicultura brasileira:

  • Percevejo-marrom (Euschistus heros): É a espécie mais abundante e difícil de controlar no Cerrado e Centro-Oeste. Possui coloração marrom-escura e espinhos pronunciados nas laterais do pronoto. Apresenta alta tolerância a inseticidas tradicionais e entra em dormência (diapausa) sob a palhada na entressafra;
  • Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii): Extremamente voraz, causa o maior dano por indivíduo na qualidade de sementes, destruindo o embrião;
  • Percevejo-barriga-verde (Diceraeus melacanthus): Ataca a soja nos estádios iniciais e migra em seguida para o milho safrinha, onde causa o enfezamento e perfilhamento precoce.

2. Amostragem rigorosa com o pano de batida

Não se toma decisão de controle de percevejos olhando a lavoura da janela da caminhonete. A ferramenta indispensável é o pano de batida (tradicional de 1 metro ou vertical tipo calha):

  1. Horário ideal: Realizar as amostragens nas horas mais frescas do dia (início da manhã ou final da tarde), quando os insetos estão ativos na parte superior da planta. No calor do meio-dia, eles se abrigam na palhada e o número contado fica subestimado;
  2. Contagem de adultos e ninfas grandes: Devem ser contabilizados tanto os adultos quanto as ninfas de 3º a 5º ínstar (maiores que 0,5 cm), que já causam danos equivalentes aos adultos.

3. Níveis de Ação Econômica (MIP-Soja)

A aplicação de inseticidas deve ser disparada somente quando a amostragem atingir os níveis de controle validados pela pesquisa:

Destino da Lavoura Nível de Ação (Pano de 1 m) Fase Fenológica Crítica
Produção de Grãos Comerciais 2 percevejos (adultos ou ninfas grandes) Do estádio R3 (início de formação de vagens) a R7
Campos de Produção de Sementes 1 percevejo (adulto ou ninfa grande) Do estádio R3 até a dessecação pré-colheita

O uso de fungos entomopatogênicos (como Beauveria bassiana) e a rotação de grupos químicos de inseticidas evitam a seleção de populações hiper-resistentes de percevejo-marrom. Entenda como o dano afeta a entrega do lote em grãos avariados na soja e os impactos na germinação em sementes de soja e vigor.

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