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Agricultura

Ferrugem-asiática da soja: monitoramento e manejo integrado

Ameaça fúngica que exige monitoramento precoce, rotação de sítios de ação de fungicidas e o uso indispensável de protetores multissítios.

Publicado em Atualizado em 9 min de leitura · horário de Brasília
Pulverizador aplicando fungicida em lavoura de soja para contenção de doenças fúngicas
A aplicação preventiva antes do fechamento das entrelinhas garante que a gota alcance as folhas do baixeiro, onde a ferrugem-asiática se inicia. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Identificada no Brasil no início dos anos 2000, a ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo biótrofo Phakopsora pachyrhizi, é considerada a doença mais destrutiva da sojicultura tropical. Em condições meteorológicas propícias (temperaturas entre 18 °C e 26 °C combinadas com molhamento foliar superior a 6 a 8 horas contínuas), o patógeno pode desfolhar uma lavoura inteira em menos de duas semanas, provocando perdas de rendimento que chegam a 80% ou 90% dos grãos.

O controle bem-sucedido não depende de aplicar fungicidas de forma desesperada após o alastramento visual das lesões, mas de monitorar preventivamente a bacia aérea e utilizar o manejo integrado antirresistência.

1. Sintomas iniciais e a importância da lupa de bolso

Diferente de manchas foliares comuns, a ferrugem-asiática começa de forma imperceptível no terço inferior das plantas (baixeiro):

  • Pontuações cloróticas minúsculas: Na face superior da folha, surgem pontinhos amarelados ou castanhos menores que 1 mm;
  • Urédias na face inferior (abaxial): Ao virar a folha e examiná-la contra a luz com uma lupa de 20x a 30x de aumento, visualizam-se pequenas protuberâncias vulcânicas (urédias) que se rompem liberando milhões de uredosporos hialinos ou amarelados. Quando o produtor consegue enxergar a mancha marrom a olho nu de pé na lavoura, a infecção já está generalizada e o controle curativo torna-se quase impossível.

2. O papel do Consórcio Antiferrugem e vazio sanitário

A primeira linha de defesa contra o patógeno é o vazio sanitário, que elimina as plantas vivas hospedeiras durante o inverno e reduz o inóculo primário. Ao longo do ciclo comercial, o produtor e a assistência técnica devem acompanhar diariamente a plataforma digital do Consórcio Antiferrugem (coordenado pela Embrapa), que mapeia em tempo real a confirmação de focos por município e o deslocamento de esporos pelo vento.

3. Estratégia de fungicidas: sítio-específicos e protetores multissítios

A repetição contínua de moléculas ao longo dos anos selecionou mutações genéticas no fungo que reduziram drasticamente a eficácia de triazóis e estrobirulinas isoladas. Hoje, o protocolo agronômico indispensável baseia-se em:

  1. Primeira aplicação preventiva: Realizada antes do fechamento total das entrelinhas (geralmente entre os estádios V8 e R1), para que o jato de pulverização consiga penetrar no dossel e atingir as folhas do baixeiro;
  2. Associações triplas com carboxamidas: O uso de misturas comerciais contendo carboxamidas modernas associadas a triazóis ou estrobirulinas de última geração;
  3. Inclusão obrigatória de multissítios: A adição contínua de fungicidas protetores multissítios (mancozebe, clorotalonil ou oxicloreto de cobre) em todas as entradas de pulverizador. Como os multissítios atuam em múltiplos processos metabólicos simultâneos da célula fúngica, eles impedem que o patógeno desenvolva resistência cruzada e prolongam a vida útil das moléculas nobres.

Conheça o impacto financeiro dessas aplicações no cálculo de custo de produção por hectare e veja o controle de outras ameaças em monitoramento de percevejos.

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