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Agricultura

Grupo de maturidade da soja: o que significa na prática

Como a escala decimal GMR classifica a sensibilidade ao fotoperíodo, define a duração do ciclo e impacta a janela da segunda safra.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Lavoura de soja com transição de coloração foliar indicando aproximação da maturidade de colheita
O Grupo de Maturidade Relativa (GMR) determina como a cultivar reage ao fotoperíodo e à temperatura ao longo das diferentes latitudes do Brasil. Foto: Pauta da Terra / Divulgação

Ao analisar a ficha técnica de qualquer semente de soja comercializada no Brasil, um dos números de maior destaque é o Grupo de Maturidade Relativa (GMR), frequentemente expresso em códigos como 5.9, 6.4, 7.2 ou 8.1. Mas o que exatamente esse indicador numérico expressa na prática da lavoura?

O GMR define a duração do ciclo fenológico da cultivar (da emergência à maturação completa de colheita) e sua resposta ao fotoperíodo — isto é, à quantidade de horas diárias de luz solar que a planta necessita para induzir a transição da fase vegetativa para o florescimento.

1. A soja como planta de dias curtos

A soja é botanicamente classificada como uma planta de dias curtos. Isso significa que ela floresce mais rapidamente à medida que as noites ficam mais longas (ou os dias ficam mais curtos que um determinado fotoperíodo crítico). Como a duração do dia varia conforme a latitude do planeta e a época do ano, uma mesma variedade se comporta de maneira diferente dependendo do local de plantio:

  • Se uma cultivar desenvolvida para o Rio Grande do Sul (alta latitude) for semeada no Mato Grosso ou Maranhão (baixa latitude, próximo à linha do Equador), ela perceberá dias mais curtos muito precocemente, florescendo anã e produzindo pouquíssimas vagens;
  • Graças à introdução do caráter de 'período juvenil longo' pelos melhoristas brasileiros, foi possível viabilizar cultivares adaptadas ao cultivo em baixas latitudes sem que houvesse floração prematura.

2. Como interpretar a escala numérica decimal

No Brasil, a escala adotada divide os materiais em grupos principais (de 5 a 9) com subdivisões decimais:

Faixa de GMR Classificação Usual Regiões Típicas de Adaptação Duração Média no Cerrado
GMR 5.0 a 6.2 Superprecoce / Precoce Sul do Brasil, São Paulo, Sul de MS 95 a 110 dias
GMR 6.3 a 7.2 Precoce a Médio Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, MS 105 a 120 dias
GMR 7.3 a 8.5 Médio a Tardio Matopiba, Norte de MT, Pará, Rondônia 120 a 135 dias
GMR 8.6 a 9.5 Tardio / Longo Roraima, Amapá e latitudes equatoriais Acima de 135 dias

3. Impacto prático no escalonamento e na safrinha

Na prática da fazenda, entender o GMR permite ao produtor montar um mosaico inteligente de cultivares:

  1. Abertura de plantio com GMR menor: Semear primeiro materiais de GMR 6.0 a 6.5 para liberar as melhores áreas logo no início de fevereiro, viabilizando o plantio da janela do milho safrinha com menor risco de geada ou seca no enchimento de grãos;
  2. Diluição de risco climático: Plantar 100% da área com o mesmo GMR concentra a fase de enchimento de grãos (R5) em uma mesma semana. Se ocorrer um veranico nesse intervalo, a perda é total. Mesclar GMRs diferentes distribui a fase crítica da lavoura por semanas distintas;
  3. Eficiência da colheita: A colhedora trabalha de forma contínua, sem sobrecarga ou perda de grãos por atraso, conforme discutido no guia mestre de cultivo de soja.

Fontes consultadas

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