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Pecuária

Estação de monta na pecuária de corte: como planejar e quais vantagens oferece

Duração recomendada, sincronização com o regime de chuvas e concentração de partos para otimizar o manejo.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Lote de vacas de corte selecionadas para abertura da estação de monta na primavera
A estação de monta concentra os nascimentos na época seca de pouca lama e a desmama em momento de pasto abundante. Foto: Wikimedia Commons / Pauta da Terra

Em fazendas de pecuária extensiva que não adotam estação de monta, os touros permanecem junto às vacas durante os 365 dias do ano. Como consequência, nascem bezerros em todos os meses, o que dificulta o controle de vacinações, impede a formação de lotes homogêneos para venda ou recria e faz com que muitas matrizes passem pelo pico de lactação durante o período seco, sofrendo desnutrição severa e esgotando o rebanho.

Por que adotar uma estação de monta definida

A estação de monta consiste em concentrar o período de cobertura ou inseminação em uma janela de 60 a 90 dias (podendo atingir 120 dias na fase de implantação e transição). Os benefícios operacionais e zootécnicos são imediatos:

  • Sincronia nutricional com as forragens: No Brasil Central, ao planejar a estação entre novembro e janeiro/fevereiro, a lactação (demanda energética máxima) coincide com o ápice de produção e qualidade das pastagens tropicais.
  • Nascimentos no momento sanitário mais favorável: Com gestação de cerca de 290 dias, os bezerros nascerão predominantemente entre agosto e outubro (final da seca e transição), período com menor umidade no solo, reduzindo a incidência de bicheiras no umbigo, diarreias neonatais e pneumonias.
  • Padronização de lotes: Os bezerros desmamam com idades e pesos semelhantes, o que simplifica o manejo sanitário em bloco e agrega valor expressivo na comercialização.
  • Identificação das matrizes improdutivas: Fêmeas que não emprenham durante a janela delimitada são diagnosticadas precocemente no exame ginecológico e destinadas ao descarte.

Passo a passo para implantar a estação na propriedade

Para propriedades que estão iniciando a transição do sistema contínuo para o concentrado:

  1. Diagnóstico ginecológico pré-estação: Realizar exame de ultrassonografia ou palpação retal 30 a 45 dias antes da abertura, separando fêmeas cíclicas, vacas em anestro e novilhas aptas (idade e peso mínimo de 280 a 320 kg para Nelore).
  2. Ajuste do Escore Corporal: Suplementar estrategicamente as vacas com escore baixo para que entrem na estação em curva ascendente de ganho de peso.
  3. Abertura com protocolo de IATF: Permite que 100% das fêmeas sejam inseminadas no primeiro dia da estação, garantindo que boa parte conceba logo na largada.
  4. Repasse com touros ou segunda IATF: Fêmeas não gestantes retornam ao estro e recebem repasse com touros aptos (relação de 1 touro para 25 a 35 vacas) ou um segundo protocolo de ressincronização.
  5. Retirada dos touros e diagnóstico de gestação final: Exame ultrassonográfico 30 a 45 dias após o término da estação para confirmação da taxa de prenhez e encaminhamento de vacas vazias.

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