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Pecuária

Manejo de curral e bem-estar animal: práticas que reduzem acidentes e perdas

Técnicas de manejo nada nas mãos, adequação estrutural e redução de contusões na carcaça.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Condução calma e progressiva de gado bovino para as instalações de curral antiestresse
O manejo racional sem gritos, ferrões elétricos ou varas reduz acidentes com vaqueiros e preserva a integridade física da carne. Foto: Wikimedia Commons / Pauta da Terra

O manejo agressivo no curral — marcado por gritos, uso de ferrões elétricos, paus e cachorros bravos — é um anacronismo que custa milhões de reais anualmente à pecuária de corte. Animais estressados sofrem fraturas, cortes em pregos e parafusos soltos e contusões musculares profundas que precisam ser extirpadas e descartadas na linha de inspeção do frigorífico, subtraindo peso da carcaça paga ao produtor.

O conceito do "Nada nas Mãos" e comportamento natural

Desenvolvido no Brasil com base nas pesquisas da Dra. Temple Grandin e de instituições como o Grupo ETCO (Unesp Jaboticabal) e a Embrapa Pantanal, o método propõe a condução dos animais baseada no respeito ao ponto de equilíbrio e à zona de fuga do bovino:

  • Zona de Fuga e Ponto de Equilíbrio: Ao se aproximar da paleta do bovino por trás, o vaqueiro induz o animal a caminhar para a frente; se posicionar-se à frente da paleta, o animal para ou recua. Conhecendo esse princípio, a equipe conduz o gado com movimentos corporais sutis, sem necessidade de tocar ou espancar os animais.
  • Eliminação de Ferramentas Agressivas: Bastões elétricos, varas pontiagudas e chicotes são banidos do curral. Para estímulo visual suave, utilizam-se bandeiras de lona macia ou flâmulas de cor contrastante que apenas indicam a direção desejada.
  • Trabalho em Silêncio: Bovinos possuem audição extremamente aguçada e se assustam com gritos estridentes e estalos metálicos de portões desregulados. O manejo calmo reduz os batimentos cardíacos do lote e evita estouros no curral.

Adequação física do curral antiestresse

A arquitetura das instalações dita o fluxo do rebanho:

  1. Seringa e Tronco Curvos: O bovino tende a caminhar em círculos e recusa-se a entrar em corredores onde não enxerga saída à sua frente ou onde veja reflexos ofuscantes de luz. Corredores curvos com paredes fechadas bloqueiam distrações visuais externas e estimulam o fluxo contínuo.
  2. Piso Antiderrapante: Currais com piso de concreto frisado em padrão espinha de peixe ou emborrachado evitam quedas, escorregões e luxações articulares no momento da pesagem e contenção.
  3. Manutenção de Ferragens: Parafusos salientes, lascas de madeira e arames soltos devem ser eliminados preventivamente para evitar arranhões que inutilizam o couro para os curtumes.

Fontes consultadas

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