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Pecuária

Rastreabilidade de bovinos: como funciona e quais exigências atender

Regras do SISBOV, identificação auricular, botom eletrônico e abertura de mercados de exportação.

Publicado em Atualizado em 9 min de leitura · horário de Brasília
Aplicação e conferência de brinco de identificação individual e rastreabilidade bovina em tronco
A rastreabilidade individual garante a comprovação de origem sanitária e ambiental exigida pelos mercados mais exigentes do mundo. Foto: Wikimedia Commons / Pauta da Terra

A rastreabilidade individual na pecuária de corte é a ferramenta oficial que documenta todo o histórico de vida de um animal: local e data de nascimento, movimentações entre fazendas, trocas de pastos, manejos sanitários, vacinações e regime nutricional até o momento do abate no frigorífico. Coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) por meio do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV), a rastreabilidade é a chave para acessar mercados internacionais que remuneram a carne com prêmios sobre a cotação comum.

Como funciona o SISBOV e a certificação ERAS

Para fornecer animais aptos à exportação para a União Europeia e outros blocos exigentes, a propriedade rural precisa ser homologada como Estabelecimento Rural Aprovado no SISBOV (ERAS):

  1. Contratação de Certificadora Credenciada: Uma empresa credenciada pelo MAPA realiza auditorias presenciais na fazenda para verificar cercas perimetrais, livros de registros zootécnicos e integridade do rebanho.
  2. Aplicação dos Dispositivos de Identificação: Os animais recebem brincos auriculares padronizados e oficiais contendo o código de 15 dígitos do país (076 para o Brasil) e o número individual único do animal. O modelo padrão combina um brinco visual na orelha direita e um botom tipo botão (frequentemente com chip eletrônico RFID) na orelha esquerda.
  3. Período de Permanência na Fazenda ERAS: Para serem abatidos com destino à Europa, os bovinos devem permanecer no mínimo 90 dias na fazenda habilitada e 40 dias no último pasto/confinamento antes do embarque.

Identificação eletrônica por RFID: velocidade no curral

O uso de botons eletrônicos de radiofrequência (RFID) conectados a bastões leitores e balanças inteligentes automatizou a rotina do curral. Ao passar pelo tronco de contenção, o animal é identificado instantaneamente sem necessidade de imobilização manual prolongada para leitura visual do número, diminuindo o estresse do lote e eliminando erros humanos de anotação.

Vantagens econômicas da rastreabilidade

Embora represente um custo adicional com brincos e certificadora, o lote rastreado SISBOV recebe bonificações em frigoríficos credenciados que variam de R$ 3,00 a R$ 8,00 por arroba sobre o preço balcão, remunerando o investimento com ampla margem e organizando os dados zootécnicos da propriedade.

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