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Calor excessivo na lavoura: como as altas temperaturas afetam as plantas

Inativação enzimática, abortamento de flores, redução no enchimento de grãos e estratégias agronômicas para reduzir o estresse térmico.

Publicado em Atualizado em 6 min de leitura · horário de Brasília
Lavoura sob sol intenso com solo seco demonstrando estresse térmico
O calor excessivo acelera a perda de água das plantas e prejudica a fertilização floral. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

A luz solar e o calor são motores vitais para o crescimento vegetal. Entretanto, quando os termômetros ultrapassam os 35°C de forma continuada — patamar cada vez mais frequente durante as ondas de calor que atingem as regiões produtoras brasileiras —, o que deveria ser fonte de energia transforma-se em fator de severa degradação fisiológica.

No contexto do clima na agricultura, o estresse térmico atua muitas vezes de forma silenciosa: mesmo que haja certa umidade no solo, a demanda evaporativa do ar e o superaquecimento dos tecidos celulares drenam a produtividade da lavoura.

O que acontece dentro da planta sob calor extremo?

As reações bioquímicas da fotossíntese dependem de enzimas que possuem faixas ótimas de funcionamento (geralmente entre 22°C e 30°C). Quando a temperatura foliar sobe além de 35°C:

  1. Inibição enzimática: A principal enzima responsável pela fixação do carbono (Rubisco) perde eficiência e passa a atuar na fotorrespiração, consumindo energia em vez de produzir biomassa;
  2. Perda de viabilidade do pólen: O grão de pólen torna-se inviável e estéril sob calor extremo, impedindo a fecundação e resultando em espigas de milho falhadas e abortamento de vagens na soja;
  3. Redução do ciclo biológico: As altas temperaturas aceleram precocemente o desenvolvimento fenológico, diminuindo os dias de enchimento de grãos e gerando sementes menores e com menor peso específico.

Técnicas agronômicas para mitigar o calor

Para atenuar o calor no microclima da lavoura, as recomendações da Embrapa incluem:

  • Palhada espessa e cobertura permanente: Um solo coberto com restos culturais de braquiária ou milheto pode registrar até 12°C a menos na superfície em comparação com solo descoberto;
  • Uso de bioestimulantes e indutores de tolerância: Aplicações foliares de aminoácidos específicos e substâncias antioxidantes auxiliam a planta a tolerar picos de radiação;
  • Arranjo e densidade de plantas: Ajustar o espaçamento entre linhas permite que o dossel foliar feche rapidamente o solo, criando uma barreira natural contra a radiação direta.

Conexões: veranicos, secas e irrigação inteligente

O calor extremo quase sempre se associa à ausência de precipitações, agravando os efeitos danosos do veranico na agricultura.

Se as altas temperaturas continuarem atuando sobre o solo ressecado por longos períodos, a propriedade entra em quadro de seca agrícola, demandando intervenções estruturais.

Já em fazendas irrigadas, o produtor pode monitorar a demanda evaporativa com sensores na irrigação, aplicando irrigações de alívio térmico nos horários mais críticos do dia para resfriar a copa da lavoura.

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