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Sensores na irrigação: como ajudam a decidir quando irrigar

Como funcionam os sensores de umidade e tensão da água no solo, onde instalá-los nas camadas de raiz e como interpretar os dados para otimizar o uso da água.

Publicado em Atualizado em 6 min de leitura · horário de Brasília
Sensor eletrônico de umidade instalado no solo próximo a sistema de gotejamento
Sensores instalados na zona radicular informam a disponibilidade de água para as plantas. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

Irrigar sem medição do solo é trabalhar no escuro: o produtor corre o risco de aplicar água em excesso — lixiviando nutrientes e gastando eletricidade na motobomba — ou de pecar por escassez, impondo estresse hídrico que derruba a produtividade da lavoura.

Os sensores de solo integram as tecnologias utilizadas no campo que oferecem dados objetivos para embasar o cronograma de acionamento dos pivôs e mangueiras gotejadoras.

Conteúdo versus energia: os dois tipos de sensores

Antes de escolher um equipamento, é fundamental compreender o que cada indicador mede:

  • Sensores de umidade volumétrica (sensores capacitivos e TDR/FDR): medem a quantidade física de água presente no volume de solo (expressa em porcentagem ou m³/m³). Respondem à pergunta: quanta água existe aqui?
  • Sensores de potencial mátrico ou tensão (tensiômetros e blocos de matriz granular): medem a força com que a água está retida nas partículas do solo (expressa em quilopascais - kPa ou centibares). Respondem à pergunta mais relevante para a planta: com quanta dificuldade a raiz precisa sugar para retirar essa água?

Um solo argiloso com 25% de umidade pode estar em ponto de murcha permanente (planta não consegue absorver), enquanto o mesmo valor de 25% em solo arenoso pode representar saturação completa. Por essa razão, a tensão da água é o indicador direto do conforto biológico da cultura.

Onde e como instalar os sensores no campo

A localização do sensor é determinante para a utilidade do dado:

  1. Profundidade radicular: a recomendação agronômica da Embrapa é instalar sensores em pelo menos duas profundidades. O primeiro sensor fica na camada superior de maior concentração de raízes ativas (ex.: 15 a 20 cm) para orientar o início da irrigação. O segundo sensor fica na camada inferior de segurança (ex.: 40 a 50 cm) para avisar se a água está infiltrando além do alcance das raízes (indicando desperdício).
  2. Distância do emissor: no gotejamento, deve ser posicionado dentro do bulbo úmido (geralmente entre 10 e 15 cm da linha e do gotejador). Na aspersão, deve evitar obstáculos que bloqueiem a queda uniforme das gotas.
  3. Contato firme solo-sensor: o contato entre a ponta cerâmica do tensiômetro e a terra não pode ter bolsas de ar. É indispensável utilizar pasta de terra fina no fundo do furo de instalação.

Integrando leituras meteorológicas e conectividade

O dado do sensor ganha força quando cruzado com as variáveis atmosféricas. Ao monitorar a evapotranspiração por meio de estações meteorológicas na fazenda, o produtor antecipa a velocidade de consumo hídrico em dias de vento forte ou ar seco.

Em sistemas conectados, as leituras dos sensores são transmitidas sem fio para o computador ou smartphone por meio de tecnologias de telemetria rural. Como abordado em nosso guia de internet no campo, redes de rádio e protocolos como LoRaWAN viabilizam o tráfego dessas medições mesmo a quilômetros de distância da sede.

Cuidados contra armadilhas e promessas irreais

Não existem limiares mágicos de tensão válidos para todas as lavouras. Enquanto hortaliças folhosas exigem solos úmidos com tensões abaixo de 20 kPa, culturas de grãos toleram faixas mais secas dependendo da fase de enchimento de grãos.

Ao aplicar técnicas de agricultura de precisão para pequenos produtores, comece monitorando um talhão piloto representativo antes de automatizar solenoides e motobombas por telemetria.

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