Da pecuária à inovação: conheça as três representantes de Goiás na lista de mulheres poderosas do agro da Forbes
Ana Amélia Paulino, Camila Colpo e Nathália Secco foram reconhecidas na seleção de 2026. Suas trajetórias passam pela representação de produtores, pela indústria de sementes e pelo desenvolvimento de negócios tecnológicos.

Três mulheres com atuação destacada em Goiás integram a edição de 2026 da prestigiada lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, publicada pela Forbes Brasil: Ana Amélia Paulino, Camila Colpo e Nathália Secco. Elas trabalham em segmentos distintos da cadeia produtiva, mas compartilham a presença ativa em posições estratégicas de decisão relacionadas à produção rural, à governança corporativa e ao ecossistema de inovação tecnológica.
A seleção foi divulgada em 15 de outubro, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Rural. Os nomes colocam em evidência três caminhos profissionais complementares: a liderança de uma pecuarista no norte goiano, a participação de uma engenheira-agrônoma na direção estratégica de uma grande companhia de sementes e a trajetória de uma empreendedora que migrou da formação artística para o ambiente das startups e do capital de risco.
A edição de 2026 retoma o formato abrangente de 100 homenageadas apresentado originalmente em 2021. De acordo com os critérios editoriais da Forbes, a escolha considera o poder de decisão formal, o impacto prático da atuação no setor e a capacidade de influência sobre pessoas e organizações. A seleção reúne profissionais de diferentes elos produtivos e institucionais — e, como ressalta a própria publicação, não deve ser interpretada como um ranking de patrimônio pessoal nem como uma classificação ordinal da primeira à centésima colocada.
Ana Amélia Paulino: da propriedade rural à representação dos produtores
Advogada de formação e pecuarista com raízes históricas no campo, Ana Amélia Avelar Ferreira Paulino preside atualmente o Sindicato Rural de Porangatu. O cadastro institucional da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) confirma seu mandato iniciado em 1º de janeiro de 2024, com vigência prevista até 31 de dezembro de 2026.
Sua trajetória profissional combina a rotina produtiva dentro da porteira com uma forte dedicação ao associativismo rural. Ana Amélia administra a Fazenda Barra das Onças, propriedade que reúne aproximadamente 3 mil cabeças de bovinos da raça Nelore voltados à pecuária de corte, além da criação e manejo de equinos. A ligação com a terra é familiar: filha e neta de produtores rurais, cresceu acompanhando de perto o manejo do rebanho, as dinâmicas de pastagens e o cotidiano da atividade rural no norte de Goiás.
Em 2024, fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir a presidência do Sindicato Rural de Porangatu. Antes disso, já havia sido pioneira na participação feminina na composição da diretoria da entidade. No âmbito estadual, lidera ainda a Comissão de Equideocultura da Faeg, responsável por orientar políticas sanitárias e eventos técnicos ligados à criação de equídeos no estado.
O reconhecimento na lista da Forbes chama atenção para uma dimensão fundamental do agronegócio: a representação coletiva. Ao presidir uma entidade de classe, a liderança passa a articular demandas conjuntas dos produtores, intermediar diálogos com órgãos governamentais de segurança e sanidade e defender melhorias em infraestrutura logística e acesso ao crédito rural na região.
A aproximação entre esse trabalho institucional e o futuro do setor também se reflete em iniciativas de capacitação. Durante o AgroStartup de 2024, promovido pelo Sistema Faeg Senar, Ana Amélia destacou a urgência de integrar ferramentas digitais à rotina dos produtores tradicionais, enfatizando que as entidades rurais devem atuar como pontes entre os desafios cotidianos do campo e as novas soluções desenvolvidas por empreendedores.
Camila Colpo: liderança na indústria de sementes
No setor corporativo e na cadeia de insumos, o destaque é Camila Stefani Colpo Koch, que ocupa a presidência do Conselho de Administração da Boa Safra. A governança da companhia apresenta de forma clara a separação entre o conselho e a diretoria executiva, ressaltando o papel da presidência colegiada na definição de diretrizes estratégicas de longo prazo, expansão de capacidade industrial e relações com acionistas.
Engenheira-agrônoma e cofundadora da empresa, Camila preside o conselho desde 2015. Sua atuação está fortemente enraizada no município de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, onde a companhia estruturou sua base de pesquisa, beneficiamento e distribuição de sementes.
A companhia consolidou-se como uma das maiores produtoras de sementes do país, tendo encerrado o exercício de 2025 com receita líquida de R$ 2,62 bilhões. Desde a realização da oferta pública inicial (IPO) na B3 em 2021, a empresa expandiu sua estrutura e opera hoje com uma rede de cerca de 350 produtores cooperados e parceiros, abrangendo aproximadamente 300 mil hectares dedicados à multiplicação de sementes de alta qualidade fisiológica para as culturas de soja, milho e feijão.
A trajetória de Camila coloca em primeiro plano uma etapa essencial que precede o plantio: a genética vegetal e a indústria de sementes certificadas. Sua presença na lista ressalta também o avanço da liderança feminina em cadeiras de governança em companhias de capital aberto no agronegócio, ambiente tradicionalmente marcado por baixa representatividade de mulheres em comitês executivos.
Além da gestão corporativa, Camila participa ativamente de projetos de valorização e capacitação feminina. Entre as iniciativas apoiadas pela empresa está o encontro “Nós com Elas”, cuja terceira edição reuniu mais de 350 produtoras e profissionais do setor para debater liderança, sucessão familiar na fazenda e os impactos das práticas sustentáveis no agronegócio brasileiro.
Nathália Secco: da formação musical ao empreendedorismo tecnológico
A terceira homenageada de Goiás apresenta um percurso profissional multidisciplinar. Nathália Secco é formada em Música pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atuou como cantora lírica profissional antes de ingressar no universo do desenvolvimento de negócios, do investimento em tecnologia e da aceleração de startups voltadas ao campo.
Sua atividade está sediada em Rio Verde, polo agroindustrial do sudoeste goiano, onde lidera o Orchestra Innovation Center e a Orchestra Ventures. A presença física no coração produtivo do estado permitiu à organização aproximar pesquisadores, desenvolvedores de software, cooperativas agrícolas e grandes grupos produtores de grãos e cana-de-açúcar.
A relevância do Orchestra no ecossistema regional de inovação já era acompanhada pelo poder público estadual em 2020, quando equipes da então Secretaria de Desenvolvimento e Inovação de Goiás (SEDI) registraram a atuação do centro como articulador de soluções tecnológicas para o agronegócio local, identificando Nathália como fundadora e diretora-executiva do polo.
No segmento de capital de risco (venture capital), o grupo estruturou em 2021 um microfundo com tese de investimento de R$ 6 milhões direcionado a Agtechs em estágio inicial de tração. O objetivo da iniciativa foi fomentar startups focadas em resolver dores reais do produtor, como monitoramento biológico, sensoriamento remoto e telemetria de frotas.
O perfil de Nathália demonstra como o agronegócio contemporâneo se conecta a outros saberes e atrai profissionais de origens não agrícolas. Em um cenário em que a inteligência artificial no campo e a digitalização acelerada transformam as tomadas de decisão, a capacidade de conectar ideias inovadoras à demanda comercial das fazendas tornou-se uma competência essencial para o crescimento sustentável da produção rural.
Três trajetórias que ajudam a enxergar a diversidade do agro goiano
A presença conjunta de Ana Amélia, Camila e Nathália na seleção da Forbes ilustra a pluralidade e a complexidade do agronegócio em Goiás. O quadro abaixo sintetiza as diferentes esferas de atuação dessas lideranças:
| Representante | Área de atuação destacada | Vínculo principal mencionado | Região em Goiás |
|---|---|---|---|
| Ana Amélia Paulino | Pecuária de corte e representação institucional | Sindicato Rural de Porangatu / Faeg | Norte Goiano (Porangatu) |
| Camila Colpo | Multiplicação de sementes e governança corporativa | Conselho de Administração da Boa Safra | Entorno do DF (Formosa) |
| Nathália Secco | Empreendedorismo, Agtechs e venture capital | Orchestra Innovation Center / Ventures | Sudoeste Goiano (Rio Verde) |
A leitura comparativa dessas trajetórias revela que o comando no agronegócio não se restringe à lida diária da fazenda. Ele se manifesta com igual força na formulação de políticas setoriais em sindicatos, nas reuniões de conselho de empresas listadas na bolsa de valores e na estruturação de rodadas de investimento para novas tecnologias agrícolas.
Esse equilíbrio entre tradição produtiva e vanguarda tecnológica traduz o espírito da homenagem da Forbes: dar visibilidade a mulheres que decidem, transformam e inspiram novos caminhos no campo brasileiro.
Fontes consultadas
- Forbes Brasil - Lista Forbes: as 100 Mulheres Poderosas do Agro ganha sua segunda edição
- Sistema Faeg Senar - Cadastro Oficial de Sindicatos Rurais de Goiás
- Boa Safra RI - Governança Corporativa: Conselho de Administração e Diretoria
- Forbes Mulher - Presidente do Conselho da Boa Safra lidera gigante de sementes
- Governo do Estado de Goiás (SEDI) - Aceleradora de Rio Verde recebe visita de técnicos da SEDI
- Mais Goiás - Pecuarista goiana na lista das 100 mulheres poderosas da Forbes
- SpaceMoney - Goiás tem três representantes na lista de mulheres poderosas do agro da Forbes





