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Agricultura

Cultivo do trigo: ciclo, condições de produção e cuidados com a lavoura

O cereal de inverno no Sul e no Cerrado: fases de afilhamento, espigamento, manejo da giberela e brusone e qualidade tecnológica de moagem (W).

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Lavoura dourada de trigo ondulando ao vento com espigas maduras prontas para a colheita
O avanço da pesquisa agronômica permitiu expandir o trigo do Sul tradicional para os solos do Cerrado brasileiro. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

O trigo (Triticum aestivum) é o cereal que viabiliza a farinha para os pães, massas e biscoitos que alimentam a população. Historicamente deficitário na produção do cereal e dependente de importações volumosas da Argentina, o Brasil vive hoje uma revolução tritícola: graças ao melhoramento genético nacional, o trigo deixou de ser restrito ao clima frio do Sul e expandiu-se com grande vigor para o Cerrado brasileiro.

No ecossistema de culturas agrícolas do Brasil, o trigo é a principal lavoura comercial de inverno. O conhecimento rigoroso de suas fases fisiológicas e a gestão das doenças fúngicas de espiga são cruciais para que o lote atinja a qualidade tecnológica de panificação exigida pelos moinhos industriais.

1. As fases fenológicas da triticultura

O desenvolvimento do trigo é tradicionalmente monitorado pela escala de Feekes ou Zadoks:

  • Germinação e Emergência: Ocorre entre 5 e 8 dias após a semeadura em solo úmido.
  • Afilhamento (ou Perfilhamento): A planta emite múltiplos caules secundários (afilhos). É o momento ideal para a adubação nitrogenada de cobertura.
  • Alongamento do colmo e Emborrachamento: A planta cresce verticalmente e a espiga jovem sobe no interior da bainha da folha-bandeira.
  • Espigamento e Antese (Florescimento): A espiga emerge completamente e as anteras amarelas abrem-se para a polinização. Momento de maior risco fitossanitário da cultura.
  • Granação e Maturação: Os grãos passam do estágio leitoso para pastoso e duro, com perda progressiva de umidade até atingir os 13% ideais para colheita.

2. Trigo no Sul versus Trigo Tropical no Cerrado

O Brasil opera dois modelos complementares de triticultura:

  • Trigo no Sul (RS, PR e SC): Cultivado em regime de sequeiro durante o inverno e início da primavera. O principal risco climático na fase reprodutiva são as geadas tardias (que congelam a espiga em emborrachamento) e as chuvas na colheita, que provocam a temida Giberela (Fusarium graminearum), fungo que contamina os grãos com a micotoxina desoxinivalenol (DON).
  • Trigo no Cerrado (MG, GO, DF e BA): Cultivado principalmente sob irrigação por pivô central ou em sequeiro precoce. O ar seco do inverno no Cerrado elimina o risco de giberela, permitindo colher trigos com altíssima força de glúten ($W > 300$), ideais para panificação nobre. O principal desafio fitossanitário é o fungo da Brusone (Pyricularia oryzae).

3. Qualidade industrial: o que os moinhos exigem

O preço pago ao produtor pelo trigo é balizado pelo Peso do Hectolitro (PH) — cujo mínimo comercial é PH 78 — e pela alveografia (Força de Glúten - W), que afere a elasticidade e capacidade de retenção de gás da massa na padaria. Grãos germinados na espiga por chuva antes da colheita sofrem queda no número de queda (Falling Number), sendo desclassificados para ração animal.

O trigo é o par natural na sucessão com o cultivo da soja e o cultivo do milho, exige monitoramento de riscos climáticos de geada na agricultura e respeita as diretrizes de zoneamento do ZARC.

Fontes consultadas

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