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Agricultura

Cultivo do milho: diferenças entre primeira e segunda safra

Milho verão versus milho safrinha: janela climática, densidade de semeadura, adubação nitrogenada de cobertura e o desafio da cigarrinha e do complexo de enfezamentos.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Espigas de milho maduras e bem granadas em talhão comercial sob céu azul
A segunda safra de milho tornou-se responsável por mais de 75% da produção do cereal no Brasil. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

O milho (Zea mays) é um dos cereais mais versáteis e estratégicos do planeta. No Brasil, ele sustenta a pujante indústria de proteína animal (sendo a base de ração para aves, suínos e bovinos em confinamento) e alimenta um dos maiores parques industriais de etanol de milho do mundo, concentrado no Centro-Oeste.

No contexto das culturas agrícolas do Brasil, a produção de milho passou por uma profunda transição geográfica e de calendário nas últimas três décadas: o milho cultivado no verão (primeira safra) cedeu espaço para a soja, e a maior parte da produção nacional migrou para a segunda safra (safrinha), semeada a partir de janeiro.

1. Comparativo: Milho Verão versus Milho Safrinha

Parâmetro Primeira Safra (Milho Verão) Segunda Safra (Milho Safrinha)
Época de Semeadura Setembro a Novembro Janeiro a Março (pós-soja)
Principais Regiões Sul do Brasil, MG, SP e GO MT, MS, PR, GO e Matopiba
Condições de Radiação/Chuva Elevada umidade e dias longos Declínio de chuvas e temperaturas
Potencial Produtivo Médio 140 a 200 sacas/ha 90 a 140 sacas/ha
População de Plantas 65.000 a 75.000 plantas/ha 50.000 a 60.000 plantas/ha

2. A corrida contra o tempo: a janela da safrinha

O maior desafio do milho safrinha é o calendário. A cada semana de atraso no plantio após o fechamento da janela ideal (que varia entre 20 de fevereiro e 10 de março a depender da microrregião), a cultura corre o risco severo de enfrentar o florescimento e enchimento de grãos sob estiagem de outono ou geadas no Sul. Se a colheita da soja atrasar e a janela se fechar, a recomendação agronômica prudente é substituir o milho pelo cultivo do sorgo, que possui muito maior tolerância à seca.

3. Adubação nitrogenada de cobertura

O milho é uma gramínea com apetite voraz por nitrogênio. A adubação de cobertura deve ser realizada com a planta jovem, entre os estádios V4 e V6 (quatro a seis folhas com colar visível), quando a espiga embrionária está definindo o número potencial de fileiras e grãos:

  • Utiliza-se ureia protegida com inibidores de urease (para evitar perdas gasosas por volatilização) ou sulfato de amônio.
  • A aplicação deve anteceder previsões de chuva leve que incorporem o nitrogênio ao solo, garantindo rápida absorção radicular.

4. Manejo da cigarrinha-do-milho e enfezamentos

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é o maior vetor de fitopatógenos da cultura, transmitindo os molicutes causadores dos enfezamentos pálido e vermelho, além do vírus do raiado fino. Plantas infectadas precocemente sofrem encurtamento de entrenós, espigas mal formadas e quebram antes da colheita.

O combate eficaz exige manejo regional integrado: eliminação total de plantas voluntárias de milho ("tiguera" ou "milho guacho") durante a entressafra, tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e uso de híbridos geneticamente tolerantes aos enfezamentos.

O milho desempenha papel estelar na rotação em sucessão com o cultivo da soja e com o feijão, viabiliza o consórcio com braquiária no planejamento de rotação de culturas e exige permanente acompanhamento de seu custo de produção rural.

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