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Agricultura

Cultivo do arroz: diferenças entre sistemas irrigados e de terras altas

Várzeas inundadas do Sul versus arroz de sequeiro do Cerrado: preparo do solo, lâmina de água, controle de plantas daninhas e colheita mecanizada.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Lavoura de arroz irrigado por inundação com taipas curvas e espigas douradas cheias de grãos
O arroz irrigado em várzeas assegura produtividades médias superiores a 8 toneladas por hectare. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

O arroz (Oryza sativa) é a base alimentar diária de mais de metade da humanidade e peça indispensável da mesa e da identidade culinária brasileira. No agronegócio nacional, a orizicultura é uma atividade altamente especializada, caracterizada por avançada tecnologia de nivelamento de terreno e controle hidráulico.

No panorama das culturas agrícolas do Brasil, a produção de arroz divide-se em dois ecossistemas produtivos inteiramente diferentes: o arroz irrigado por inundação contínua nas várzeas e o arroz de terras altas (ou arroz de sequeiro), cultivado em áreas planas não alagadas.

1. Arroz irrigado por inundação: o celeiro do Sul

Responsável por mais de 75% a 80% de todo o arroz colhido no país, o sistema irrigado concentra-se maciçamente nas planícies do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina:

  • Manejo de taipas e lâmina d'água: O terreno de várzea é sistematizado com lâmina a laser e cercado por taipas em nível. Entre 15 e 25 dias após a emergência das plantas, a lavoura é inundada com uma lâmina de água de 5 a 10 cm, mantida de forma contínua até próximo à colheita.
  • Vantagens da água: A lâmina d'água atua como barreira física que asfixia as plantas daninhas e mantém a temperatura do solo estabilizada, protegendo as panículas contra choques térmicos noturnos.
  • Produtividade: Apresenta produtividades médias elevadíssimas, frequentemente entre 7.500 e 10.000 kg por hectare (150 a 200 sacas/ha).

2. Arroz de terras altas (sequeiro): a fronteira do Cerrado

Cultivado tradicionalmente em estados como Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Pará, o arroz de terras altas depende exclusivamente das chuvas ou de pivôs centrais de aspersão:

  • Papel na abertura de áreas: Historicamente, o arroz de sequeiro foi utilizado como cultura pioneira para abrir solos ácidos de Cerrado antes da entrada da soja. Hoje, com cultivares nobres desenvolvidas pela Embrapa Arroz e Feijão (como a linhagem BRS), ele atinge padrão culinário de grão longo e fino (agulhinha) idêntico ao irrigado.
  • Vulnerabilidade a veranicos: O arroz de sequeiro possui sistema radicular superficial e alta sensibilidade ao déficit hídrico. Um veranico de 10 dias durante o florescimento pode causar esterilidade massiva de espiguetas e quebra severa da produção.

3. Rotação com soja em várzea: a salvação do solo

Um dos maiores avanços agronômicos das últimas décadas foi a quebra do monocultivo contínuo do arroz irrigado por meio da rotação com soja em várzea. A semeadura de cultivares de soja tolerantes ao encharcamento no verão permite o controle químico eficiente do arroz-vermelho (a pior planta daninha da orizicultura, que não podia ser eliminada com herbicidas sem matar o arroz comercial).

O arroz conecta-se à sucessão de culturas com o cultivo da soja, beneficia-se de monitoramento em eventos de excesso de chuva e adota sensores de manejo de água para racionalizar o bombeamento nos canais.

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