Tecnologia na pecuária: como acompanhar peso e desempenho do rebanho
Brincos eletrônicos, balanças de passagem, pesagem automatizada e registros individuais para monitorar ganho de peso médio diário e eficiência reprodutiva.

A pecuária tradicional, historicamente baseada na avaliação visual do gado e em pesagens anuais estressantes no curral, passa por uma profunda renovação técnica. Hoje, a pecuária de precisão possibilita gerenciar animais individualmente com a mesma exatidão com que se cuida de plantas na lavoura.
Essas ferramentas integram o ecossistema de tecnologias utilizadas no campo, permitindo identificar com rapidez animais de baixo ganho de peso e encurtar o ciclo de engorda no pasto e no confinamento.
Da marca de ferro ao brinco RFID com leitor de bastão
O ponto de partida da tecnologia pecuária moderna é a identificação eletrônica individual:
- Brincos ou bottons com chip RFID (Identificação por Radiofrequência): cada bovino recebe um código numérico universal e intransferível.
- Leitores portáteis de bastão: durante a passagem no brete ou seringa, o operador apenas aproxima o bastão da orelha do animal. O número é captado por rádio e registrado instantaneamente no smartphone ou coletor de dados, eliminando erros humanos de anotação de números em pranchetas molhadas.
Balanças eletrônicas e pesagem de passagem voluntária
Pesar animais no tronco convencional é uma tarefa pesada, demorada e que gera estresse, causando perda de peso nos dias seguintes ao manejo. As inovações recentes oferecem soluções inteligentes:
- Barras de carga em bretes e troncos de contenção: balanças digitais conectadas que travam o peso exato em segundos, mesmo com o animal se movimentando.
- Sistemas de pesagem em passagem voluntária: plataformas de pesagem instaladas no corredor de acesso obrigatório ao bebedouro ou cocho de sal. Toda vez que o animal vai beber água, a balança lê o brinco eletrônico e registra o peso sem interferência de vaqueiros.
O cálculo do Ganho Médio Diário (GMD)
Com pesagens frequentes e confiáveis, o pecuarista consegue calcular o Ganho Médio Diário (GMD = diferença de peso dividida pelos dias do período) de cada lote. Isso permite:
- Identificar animais "refugos" que consomem pasto sem converter em carne;
- Ajustar a formulação de proteinados e rações concentradas conforme a resposta biológica real;
- Definir a data ideal de abate no ponto ótimo de acabamento de carcaça, evitando gastos desnecessários com diárias extras no confinamento.
Cruzando dados zootécnicos e financeiros
Um lote de animais bem monitorado precisa de gestão de custos correspondente. Cruzar o peso dos bezerros com o método para organizar as despesas da fazenda pelo celular permite apurar o Custo por Arroba Produzida (R$/@), o indicador mais seguro da saúde financeira da fazenda.
Além disso, o uso de inteligência artificial no agro acoplado a colares e sensores auriculares de ruminação consegue prever com antecedência o início do cio em matrizes e emitir alertas precoces de febre e problemas respiratórios.
Infraestrutura e funcionamento no mangueiro
A maioria dos currais de fazendas não dispõe de sinal de internet contínuo. Por isso, garanta que os leitores eletrônicos e coletores funcionem perfeitamente offline, sincronizando o lote ao retornar à sede conectada com internet no campo.





