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Agricultura

Produção de uva: diferenças entre mercado de mesa e processamento

Pérgola (latada) versus espaldeira: como variedades sem sementes, manejo de podas e clima diferenciam a uva fresca da uva para sucos e vinhos finos.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Parreiral de uvas em latada com cachos roxos e verdes pendentes protegidos por folhas sadias
O sistema de latada é dominante na uva de mesa pelo alto rendimento, enquanto a espaldeira favorece a insolação para uvas viníferas. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

A viticultura brasileira é marcada por uma diversidade geográfica e tecnológica singular: no Sul do país (Serra Gaúcha e Campanha), predominam vinhedos voltados à elaboração de vinhos finos, espumantes e sucos integrais; no Vale do São Francisco (Pernambuco e Bahia) e no Noroeste Paulista, a irrigação e o calor tropical viabilizam até duas safras e meia por ano de uvas de mesa finas e sem sementes (apirênicas).

No guia amplo de fruticultura e horticultura, a viticultura destaca-se como exemplo de cultivo perene em que o destino comercial do fruto define desde a estrutura de arames do vinhedo até o momento exato da colheita.

1. Sistemas de Condução: Pérgola (Latada) versus Espaldeira

A arquitetura do parreiral é desenhada em função da qualidade exigida pelo comprador:

  • Sistema de Latada (Pérgola horizontal): Uma malha horizontal de arames esticada a cerca de 1,80 a 2,00 metros do chão. É o padrão da uva de mesa no Brasil (como Niagara Rosada, BRS Vitória e BRS Isis), pois sustenta altas cargas de frutos por hectare (30 a 50 t/ha), protege os cachos contra o atrito e facilita o raleio manual e a colheita em sombra.
  • Sistema de Espaldeira (Cortina vertical): As videiras crescem verticalmente em 3 ou 4 fios de arame paralelos. É a condução obrigatória para uvas viníferas de alta gama (como Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay), pois expõe as folhas e cachos à insolação direta e aos ventos, elevando a concentração de polifenóis (taninos e antocianinas) e reduzindo a umidade que propicia podridões.

2. Podas de Formação e Frutificação

A videira frutifica exclusivamente nos ramos do ano que brotam das gemas do ciclo anterior. O viticultor executa dois tipos de podas:

  1. Poda seca de inverno: Realizada no período de dormência nas regiões frias ou programada após estresse hídrico no Vale do São Francisco. Define o número de gemas produtivas ("varas" ou "esporões") e calibra o volume potencial da colheita.
  2. Poda verde de verão: Desbrota, desponte de ramos e desfolha ao redor dos cachos para arejar o dossel e permitir que a luz solar atinja as bagas uniformemente.

3. Ponto de Colheita e Destino Comercial

Para a indústria de sucos e vinhos, a colheita é norteada pela maturação tecnológica medida pelo refratômetro portátil: teor de açúcares (°Brix) e equilíbrio com a acidez total. Já para a uva de mesa fresca, a integridade da película, a firmeza da polpa, a presença de pruína natural (cera esbranquiçada protetora) e a uniformidade da cor do cacho são determinantes para a cotação no atacado.

Para aprender como selecionar mudas enxertadas resistentes a filoxera e pérola-da-terra, consulte mudas de frutas e hortaliças e confira as boas práticas de embalagem em pós-colheita de frutas e os canais em comercialização de hortifruti.

Fontes consultadas

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