El Niño e La Niña: como podem influenciar o clima nas regiões do Brasil
As anomalias de temperatura do Oceano Pacífico e seus reflexos na distribuição de chuvas e temperaturas de Norte a Sul do país.

A cada início de ciclo produtivo, as manchetes do agronegócio voltam a estampar os nomes dos dois fenômenos climáticos mais conhecidos do planeta: El Niño e La Niña. Essas duas fases opostas do ciclo ENOS (El Niño - Oscilação Sul) decorrem da alteração na temperatura superficial das águas do Oceano Pacífico Equatorial e têm o poder de modificar as correntes de ar e as trajetórias de frentes frias no Brasil.
No estudo aprofundado sobre o clima na agricultura, compreender o comportamento desses fenômenos permite ao produtor antecipar tendências climáticas sazonais de grande escala, escolhendo épocas de semeadura e ajustando a estratégia de comercialização da safra.
O que acontece em anos de El Niño?
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial registram aquecimento anômalo igual ou superior a 0,5°C durante vários meses consecutivos. Seus efeitos médios clássicos no território brasileiro incluem:
- Região Sul: Chuvas muito acima da média histórica, tempestades frequentes e risco de inundações na primavera e no verão;
- Norte e Nordeste: Bloqueio das chuvas, estiagens prolongadas e secas no semiárido e na faixa norte da Amazônia;
- Centro-Oeste e Sudeste: Padrão irregular, com tendência a temperaturas mais elevadas e distribuição instável de precipitações.
O que acontece em anos de La Niña?
A La Niña representa o fenômeno inverso: o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial. No Brasil, ela tende a gerar:
- Região Sul: Chuvas irregulares, estiagens recorrentes e veranicos severos, aumentando o risco de perdas para o milho e a soja no Rio Grande do Sul e oeste do Paraná;
- Norte e Nordeste: Intensificação das precipitações, favorecendo o regime de chuvas no semiárido e no Matopiba;
- Centro-Oeste: Início das chuvas de verão com regularidade, permitindo o plantio da safrinha de milho dentro da janela ideal.
Por que os efeitos variam a cada evento?
Um dos pontos mais enfatizados pelos meteorologistas do CPTEC/INPE e do INMET é que não existem dois El Niños ou duas La Niñas idênticos. A intensidade do evento (fraco, moderado ou forte), a posição geográfica exata do aquecimento no Pacífico (Canônico ou Modoki) e a interação com outros oceanos — como as temperaturas das águas do Atlântico Tropical e do Atlântico Sul — podem neutralizar ou amplificar determinados efeitos regionais.
Integrando previsões, chuvas e secas
O acompanhamento do ENOS deve ser balizado periodicamente pelas atualizações de previsão do tempo para o produtor rural emitidas pelos canais oficiais, evitando decisões baseadas em rumores.
Compreender o padrão oceânico ajuda a prever as anomalias de chuva na lavoura e sua distribuição, orientando a gestão do solo.
Por fim, em anos de La Niña no Sul ou de El Niño no semiárido, o monitoramento preventivo contra a seca agrícola deve ser intensificado desde os primeiros indícios de escassez de água.





