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Agricultura

Cultivo do algodão: etapas da produção e fatores que afetam a qualidade

Do controle rígido do bicudo-do-algodoeiro ao uso de reguladores de crescimento e dessecação: como produzir pluma nobre com padrão de exportação.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Lavoura de algodão exuberante com capulhos brancos totalmente abertos antes da colheita
O algodão brasileiro atende aos mais exigentes critérios da indústria têxtil internacional por meio do programa ABR. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

O algodão (Gossypium hirsutum) é a lavoura mais complexa, sofisticada e intensiva em capital e tecnologia de todo o agronegócio brasileiro. Concentrado em gigantescas áreas mecanizadas no Oeste da Bahia e em Mato Grosso, o Brasil consolidou-se como um dos três maiores produtores e exportadores mundiais de pluma, rivalizando diretamente com os Estados Unidos.

No universo das culturas agrícolas do Brasil, a cotonicultura é uma atividade industrial a céu aberto: o objetivo do cotonicultor não é apenas colher peso, mas sim atender às rigorosas especificações físicas de fiação exigidas pelos moinhos têxteis da Ásia e da Europa.

1. Primeira Safra versus Algodão Safrinha

O algodão é cultivado em dois formatos de calendário no Cerrado:

  • Algodão Safra (Primeira Safra): Semeado entre novembro e dezembro. Possui ciclo longo de 180 a 200 dias e alcança produtividades extraordinárias de pluma (frequentemente acima de 300 arrobas de caroço por hectare), sendo muito comum na Bahia.
  • Algodão Safrinha (Segunda Safra): Semeado em janeiro, imediatamente após a colheita da soja precoce em Mato Grosso. Possui ciclo encurtado (150 a 160 dias) para escapar da estiagem no enchimento dos capulhos.

2. Manejo cirúrgico: reguladores de crescimento

O algodoeiro é uma planta perene de crescimento indeterminado que a agronomia conduz como anual. Sob calor e chuva tropical, a planta tende a crescer vegetativamente de forma descontrolada ("embonecar"), priorizando folhas e ramos em detrimento da frutificação.

Para controlar a arquitetura do algodoeiro, o produtor aplica repetidas doses de reguladores de crescimento (como o cloreto de mepiquat) ao longo do ciclo. O regulador encurta os entrenós, equilibra a distribuição de luz no dossel e direciona a seiva para o enchimento das maçãs reprodutivas.

3. A praga mais destrutiva: o Bicudo-do-algodoeiro

O bicudo (Anthonomus grandis) é o inseto que destruiu a cotonicultura tradicional no século passado. Ele perfura os botões florais ("maçãs") para ovipositar, fazendo os frutos caírem no chão. O controle exige disciplina coletiva regional:

  • Monitoramento diário com armadilhas de feromônio antes do plantio.
  • Pulverizações direcionadas aos primeiros adultos na bordadura dos talhões.
  • Destruição obrigatória e impecável das soqueiras após a colheita, respeitando o vazio sanitário do algodão de pelo menos 60 a 90 dias sem plantas no campo.

4. Dessecação, colheita e parâmetros de qualidade da pluma

Quando 70% a 80% dos capulhos estão abertos, a lavoura recebe dessecação química com desfolhantes para derrubar todas as folhas verdes antes da entrada das colhedoras automotrizes (que colhem e compactam o algodão em fardos cilíndricos envoltos em filme plástico impermeável diretamente no talhão).

Em laboratório de análise HVI (High Volume Instrument), cada fardo é avaliado individualmente por parâmetros que determinam seu preço no mercado futuro: comprimento de fibra (superior a 28 mm), resistência, índice de micronaire (finura e maturidade da fibra) e índice de amarelamento.

O algodão se integra à sucessão com o cultivo da soja, depende de uma estruturada rotação de culturas e exige um rigoroso planejamento da safra devido ao alto volume financeiro envolvido.

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