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Agricultura

Cultivo de cebola: etapas da produção e cuidados com a qualidade

Da semeadura e transplante à nutrição potássica e cura pós-colheita: o que define o tamanho do bulbo, a coloração da casca e a durabilidade no armazém.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Lavoura de cebola em fase de tombamento de ramas e bulbos amarelados prontos para a cura
O processo de cura ao sol no campo ou em galpões ventilados sela o bulbo e impede podridões durante o armazenamento. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

A cebola (Allium cepa) figura como a terceira olerícola mais consumida no território nacional, atrás apenas da batata e do tomate. Cultivada predominantemente no Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul), no Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e no Vale do São Francisco (Pernambuco e Bahia), a cultura destaca-se por sua capacidade de conservação pós-colheita quando os bulbos passam pelo processo adequado de cura.

No estudo central de fruticultura e horticultura, a cebolicultura é apresentada como uma atividade intensiva que exige sincronia perfeita entre o fotoperíodo local, a fertilidade do solo e a colheita.

1. Fotoperíodo e Escolha da Cultivar

A cebola é uma planta sensível ao comprimento do dia (fotoperíodo). A formação dos bulbos só tem início quando a planta recebe um número mínimo diário de horas de luz:

  • Cultivares de dias curtos (11 a 12 horas de luz): São as variedades plantadas no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste (como Baia Peroba, Texas Grano e híbridos precoces), permitindo colheitas ao longo do outono e inverno.
  • Cultivares de dias intermediários (12 a 14 horas de luz): Adaptadas às regiões mais ao Sul do país (como as variedades desenvolvidas pela Epagri em Santa Catarina), com plantios de inverno e colheitas no final da primavera.

2. Plantio, Adubação e Irrigação

A implantação pode ser feita por semeadura direta (em grandes áreas mecanizadas) ou por transplante de mudas produzidas em sementeiras (método tradicional familiar):

  1. Preparo do solo e calagem: A cebola exige solo fértil, bem aerado e pH corrigido entre 6,0 e 6,5, conforme recomendado em laudos de análise de solo. Solos compactados deformam os bulbos e reduzem a cotação no atacado.
  2. Equilíbrio entre Nitrogênio e Potássio: O nitrogênio promove o desenvolvimento da área foliar nas primeiras 8 semanas, mas seu excesso na fase final atrasa a maturação e favorece podridões. O potássio, por sua vez, é decisivo para a consistência e firmeza das escamas protetoras.
  3. Controle de água: A cultura demanda umidade constante durante o crescimento vegetativo. No entanto, 15 a 20 dias antes da colheita, a irrigação deve ser suspensa para estimular o tombamento natural da folhagem (estalamento).

3. A Importância Crítica da Cura Pós-Colheita

Após a colheita no campo, os bulbos não devem ser ensacados de imediato. A cura consiste em secar as raízes, o "pescoço" e as escamas externas:

"A cura correta da cebola ao sol no campo por 3 a 5 dias, seguida de aeração em galpões ripados, sela os tecidos e reduz em até 80% as perdas causadas pela queima bacteriana e podridão-de-esclerócio durante o transporte e armazenagem."

Para aprender como estruturar a logística de expedição e transporte para Ceasas e atacados, confira também nosso artigo sobre pós-colheita de frutas e hortaliças e comercialização de hortifruti.

Fontes consultadas

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