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Agricultura

Cultivo da mandioca: produção para consumo e processamento industrial

Mandioca de mesa (aipim/macaxeira) versus mandioca industrial para fécula e farinha: seleção de manivas-semente, espaçamento, controle de invasoras e colheita.

Publicado em Atualizado em 8 min de leitura · horário de Brasília
Produtor rural colhendo raízes túberas frescas e sadias de mandioca em solo arenoso bem manejado
A mandioca é cultivada em todos os estados do país, abastecendo a mesa e a indústria de amidos. Foto: Pauta da Terra / Acervo.

A mandioca (Manihot esculenta) é uma das maiores contribuições da biodiversidade nativa brasileira para a segurança alimentar do planeta. Planta rústica, altamente eficiente na conversão de luz solar em carboidratos subterrâneos e tolerante a solos ácidos e períodos secos, a mandioca é cultivada de Norte a Sul do Brasil.

No universo das culturas agrícolas do Brasil, a mandiocultura subdivide-se comercialmente em dois segmentos distintos, determinados pela concentração de compostos cianogênicos nas raízes:

1. Mandioca de mesa versus Mandioca industrial

  • Mandioca de Mesa (Aipim ou Macaxeira): Possui teor de ácido cianídrico (HCN) inferior a 100 mg/kg de polpa fresca, sendo completamente inofensiva e doce ao paladar humano. Destina-se ao consumo direto cozido ou frito. As cultivares comerciais selecionadas pela Embrapa (como a BRS Dourada) destacam-se pelo cozimento rápido (menos de 20 minutos) e polpa amarela rica em carotenoides.
  • Mandioca Industrial (ou Mandioca-Brava): Apresenta altos teores de HCN (acima de 100 mg/kg), sendo tóxica para consumo in natura. Suas raízes são processadas exclusivamente pela agroindústria para fabricação de farinhas artesanais e industriais ou extração de fécula/polvilho em fecularias no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

2. Seleção e preparo das manivas-semente

A mandioca propaga-se vegetativamente por pedaços de caule maduro (manivas):

  1. As manivas devem ser retiradas de lavouras sadias com idade entre 10 e 14 meses, utilizando o terço médio da haste (descartando a ponta muito verde e a base muito lenhosa).
  2. O corte deve ser reto, com comprimento entre 15 e 20 centímetros e espessura de 2 a 3 cm, preservando de 5 a 7 gemas viáveis.
  3. O plantio no sulco pode ser horizontal (para colheita mecanizada de raízes uniformes) ou inclinado, enterradas a cerca de 10 cm de profundidade.

3. Espaçamento, ciclo e colheita

O espaçamento mais comum situa-se entre 0,90 m e 1,00 m entre linhas por 0,60 m a 0,80 m entre plantas (população de 10.000 a 14.000 plantas/ha). A cultura exige solo com boa aeração para expansão radicular (solos arenosos ou franco-argilosos facilitam muito o arranquio).

O ciclo biológico varia conforme a finalidade: a mandioca de mesa é colhida precocemente entre 8 e 12 meses para evitar que a polpa fique fibrosa; já a mandioca industrial costuma ser colhida em ciclo de dois anos (18 a 24 meses), momento em que atinge o ápice de matéria seca e acúmulo de amido por hectare.

A mandiocultura beneficia-se de correções de fertilidade com base na análise de solo e calagem, além de ser o pilar econômico de milhares de pequenos produtores inseridos na agroindústria familiar.

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